- Um relatório interino apoiado pela Organização das Nações Unidas mostra que aproximadamente metade das populations de espécies migratórias protegidas pela Convenção CMS está em declínio, com o índice subindo de 44% para 49% em dois anos.
- A CMS tem hoje mais de mil espécies migratórias listadas, e 132 países mais a União Europeia já assinaram ou ratificado o acordo; 26 espécies migratórias listadas entraram em categorias de risco mais alto, incluindo 18 limícolas.
- Os impactos vêm de perda de habitat, estradas, cercas, pesca e mudanças climáticas; a influenza aviária de alta patogenicidade (HPAI) intensifica o declínio entre aves.
- A gripe aviária já provocou eventos de mortalidade em várias regiões e afeta aves migratórias ao longo de rotas globais, com destaque para aves aquáticas e shorebirds.
- Em preparação para a cimeira CMS, são anunciadas 42 novas espécies migratórias para listagem, o maior número já apresentado, destacando a urgência de ações de conservação.
O panorama dos migratórios piora diante da perda de habitat e da gripe aviária, aponta relatório interino apoiado pela ONU. A atualização revela que metade das populações de espécies migratórias protegidas sob a CMS está em declínio, com piora em dois anos.
O informe, criado para acompanhar a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), utiliza dados da IUCN Red List. Em 2024, 44% estavam em declínio; agora são 49%.
Enviado antes da 15ª Cúpula da CMS, o relatório destaca que 26 espécies listadas pela CMS migraram para categorias de risco maior de extinção, incluindo 18 espécies de aves costeiras. Observa ainda quedas em várias comunidades animais.
A CMS, criada em 1979, busca proteger as rotas de migração entre fronteiras, reconhecendo que leis diferentes dificultam a conservação. O declínio em qualquer ponto da rota pode afetar a população inteira.
Até 2025, 132 países e a União Europeia assinaram ou ratificaram o acordo. Mais de 1.200 espécies migratórias estão sob proteção, incluindo baleia-azul, tartaruga verde e saiga.
O relatório ressalta que estudos recentes confirmam tendências de queda em terra, água doce e oceano, abrangendo aves de rapina, peixes de água doce e tubarões e raias. Hoje, uma em quatro espécies migratórias está ameaçada.
Fatores da queda
A perda de habitat e a degradação de ecossistemas são alicerces do problema, agravados por expansão humana, estradas e desenvolvimento. A caça, a pesca predatória e a sobreexploração aparecem entre os impactos.
Além disso, a gripe aviária altamente patogênica (HPAI) atinge aves globalmente e se dissemina com rapidez durante migrações de milhares de indivíduos, elevando o risco de extinção de várias espécies.
A influenza aviar explica parte do recuo populacional observado, mas o relatório também aponta pressões amplas, como mudanças climáticas e interrupção de corredores ecológicos.
Rotas de migração e conservação
O mapeamento de rotas evoluiu com avanços em rastreamento animal, oferecendo visão detalhada das rotas migratórias. Corridors — passagens seguras através de infraestruturas — aparecem como solução central para manter deslocamentos.
A proteção de áreas-chave, especialmente em corredores como o Serengeti-Masai Mara, sustenta migrações anuais de milhões de animais, conectando pastagem a fontes de água.
A gestão transfronteiriça se mantém essencial, visto que muitos deslocamentos ocorrem entre países. A construção de redes de proteção supera fronteiras nacionais para conservar habitats estratégicos.
Olhar para o futuro
O relatório aponta perspectivas positivas em alguns casos, como o crescimento de espécies reintroduzidas no Saara e a recuperação de antílopes saiga. A próxima cúpula da CMS deve contemplar 42 novas espécies para listagem, o maior número já apresentado.
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