- A comunidade Ikoots de Cuauhtémoc, em San Mateo del Mar, com cerca de 900 pessoas, enfrenta inundações recorrentes e recuo costeiro acentuado; entre 1967 e 2014 o Pacífico consumiu 8,4 metros de terreno por ano.
- Moradias e ruas são engolidas pelo mar, com água salgada contaminando poço local; houve deslocamentos desde 2007 e enchentes significativas ocorrem duas vezes ao ano.
- Em maio de 2025, moradores votaram pela relocação, mas o processo enfrenta atraso burocrático e falta de recursos para financiar a mudança, estimada em parte com terreno próximo que custa cerca de 50 mil pesos.
- A nova área de reassentamento foi identificada (Polygon 3A), a cerca de 5 km de Cuauhtémoc, mas depende de negociação com proprietários externos e de financiamento federal para infraestrutura.
- As possíveis causas da erosão geracional incluem sedimentação reduzida devido à Barragem Benito Juárez e mudanças na dinâmica de correntes, além de obras portuárias próximas que podem ter acelerado o recuo.
Cuauhtémoc, uma comunidade Ikoots em San Mateo del Mar, no Pacífico mexicano, enfrenta inundações recorrentes conforme o mar avança e estruturas vão cedendo. Cerca de 900 moradores já são afetados, com casas e ruas sendo engolidas pela água. Em maio de 2025, a comunidade aprovou a relocação, mas entraves burocráticos atrasam o processo.
O problema ocorre numa faixa de terra estreita entre o oceano e um sistema de lagoas. Avanços do nível do mar, combinados a mudanças no fluxo sedimentar, colocam pressão sobre a infraestrutura local, que já depende de água doce do Rio Tehuantepec e de um poço contaminado pela salinidade. A cada ano, episódios de inundação surpreendem moradores.
Conflitos de causas apontadas por especialistas mantêm a dúvida sobre o peso de cada fator. Um estudo de 2023 sugere que o recuo não se explica apenas pelo aquecimento global, citando a construção da Barragem Benito Juárez como fator-chave, que prende sedimentos na calha do rio. Outros citam também o efeito de obras portuárias próximas, como os rompeolas de Salina Cruz, inaugurados em 2024.
Complexidades e prazos
Apesar das incertezas, há consenso de que a relocação é necessária, pois grande parte da vila pode ficar submersa dentro de uma década. O investimento previsto para o novo assentamento (Polygon 3A) depende de acordos com proprietários de terras fora da comunidade e de financiamento federal para obras de infraestrutura.
Os relatos apontam dificuldades financeiras entre os moradores: muitos não conseguem arcar com cerca de 50 mil pesos para adquirir terreno adequado. As autoridades locais solicitam apoio do governo federal, que já iniciou conversas em 2023, mas os trâmites continuam longos e onerosos.
Perspectiva para a comunidade
O debate permanece entre a necessidade prática de preservar vidas e a perda de vínculos com a terra natal. Parte dos moradores já manifestou resistência à mudança, enquanto outros aguardam soluções que tornem viável a nova_chamr. As próximas etapas envolvem confirmação da localização definitiva e a obtenção de recursos para infraestrutura no novo polo habitacional.
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