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Vilas da Amazônia criam sistemas de energia autônomos após falha de barragem

Projetos comunitários na Amazônia criam redes independentes com energia solar e turbinas hidrocinéticas, garantindo eletricidade 24 horas a comunidades sem acesso

Community members take part in the installation of solar panels in the Porto Rico community, in the Brazilian Amazon.
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  • Na Reserva Tapajós-Arapiuns, projeto piloto fornece energia elétrica 24 horas por meio de um sistema integrado de painéis solares e turbinas hidrocinéticas fluviais.
  • As turbinas hidrocinéticas utilizam filtros e grade de rotação lenta para gerar eletricidade sem prejudicar a fauna do rio, funcionando melhor em águas profundas.
  • Cerca de 990 mil pessoas na Amazônia brasileira ainda não têm energia, com tarifas altas e apagões em comunidades próximas a grandes hidrelétricas como Belo Monte.
  • O projeto experimental, liderado por Emilio Moran com apoio da Ufopa, começou em 2023 em três comunidades ribeirinhas próximas a Santarém, incluindo Porto Rico, combinando solar e turbinas movidas pelo rio.
  • Os benefícios já incluem energia 24 horas, internet, um freezer comunitário e melhoria na comunicação; há planos de expansão para atender mais de 200 pessoas nas próximas etapas.

O projeto piloto atua na Reserva Tapajós-Arapiuns, no Pará, e fornece energia 24 horas por meio de um sistema integrado de painéis solares e turbinas hidrocinéticas instaladas em rios. O objetivo é atender comunidades ribeirinhas que enfrentam carência de eletricidade, mesmo com grandes hidrelétricas na região.

As turbinas hidrocinéticas usam filtros de baixa rotação e redes que reduzem o impacto na fauna aquática, permitindo geração contínua sem depender exclusivamente da rede central. A iniciativa começou em 2023, em três comunidades próximas a Santarém.

O contexto nacional mostra desafios típicos do setor. A Belo Monte, na bacia do Xingu, entrou em operação em 2016 e opera com carga significativamente inferior ao potencial. Em 2024, utilizava apenas cerca de 23% de sua capacidade instalada.

Estimativas apontam que aproximadamente 990 mil brasileiros na Amazônia ainda não têm acesso estável à eletricidade, incluindo 19% em terras indígenas. O custo energético elevado afeta especialmente famílias de baixa renda, que dependem de geradores a diesel para suprir quedas de fornecimento.

Estudos de Moran e colegas, com apoio da FAPESP, destacam que o progresso prometido com a energia limpa não se materializou para muitas comunidades da região, elevando tarifas e criando desigualdade entre áreas próximas a Belo Monte e centros urbanos de estados como São Paulo.

Na prática, o projeto de Santarém visa criar redes independentes de energia. Em Porto Rico, por exemplo, a instalação de painéis solares e turbinas hidrocinéticas permite acesso contínuo à energia, com impactos positivos na alimentação, internet e serviços de saúde locais.

Soube-se que o sistema integra geração solar com a turbinagem, possibilitando funcionamento 24 horas por dia em corrente de rio adequada, sem prejudicar a fauna. A iniciativa também inclui programa educacional para capacitar moradores a operar e manter os equipamentos.

Com o avanço do pilot, já há relatos de melhoria na qualidade de vida. Moradores destacam redução de uso de diesel e aumento da disponibilidade de energia para geladeiras, internet e serviços de emergência. A perspectiva é ampliar o alcance nos próximos anos.

O esforço envolve universidades e comunidades locais, com apoio de parcerias internacionais. A meta é ampliar a autonomia energética de comunidades ribeirinhas, reduzindo custos e subsidios governamentais, ao mesmo tempo em que se busca reduzir emissões associadas ao uso de combustíveis fósseis.

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