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Estudo desmonta alegação de que comércio de tartarugas indonésias sustenta vidas

Estudo mostra que o comércio legal de tartarugas não oferece renda estável suficiente para subsistência, destacando o risco de contrabando

A Malayan softshell turtle (Dogania subplana).
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  • Estudo aponta que o comércio legal de tartarugas na Indonésia não sustenta rendas estáveis: as quatro espécies mais traficadas possuem cota anual de quase 50 mil indivíduos.
  • Os preços variam entre US$ 1,10 e US$ 20 por tartaruga, mas o número de coletores que conseguiria um salário mínimo fica entre 241 e 306, conforme o cenário.
  • Para um ganho próximo de uma remuneração decente (aproximadamente um e meio salário mínimo), seriam apenas 161 a 204 coletores, levando em conta custos não incluídos no estudo.
  • Mesmo com coleta apenas durante parte do ano ou vendendo tartarugas avulsas, o ganho fica entre 2,4 mil e 3 mil pessoas no país, estimado em 285 milhões de habitantes.
  • Pesquisadores criticam a viabilidade econômica e ecológica do comércio: recomendam rever cotas, combater o mercado ilegal e oferecer alternativas de rendimento para populações dependentes.

O estudo refuta a ideia de que o comércio legal de tartarugas em Indonésia sustenta meios de vida estáveis para a população local. Pesquisadores comparam ganhos do comércio de carne de tartarugas com salários mínimos regionais para verificar a viabilidade econômica. A pesquisa foi publicada na revista Discover Animals.

A análise foca nas quatro espécies legalmente comercializadas sob permites internacionais, regulamentadas pela CITES. Além disso, a coleta exige licença provincial na Indonésia, com limites diferentes por região.

O trabalho de campo considerou 27 províncias entre 2016 e 2022, estimando renda anual de coletores multiplicando preço de mercado pelo total de tartarugas permitidas. O objetivo foi medir se o ganho cobre o salário mínimo provincial.

Segundo os resultados, apenas uma parcela pequena de pessoas pode obter renda compatible com o salário mínimo. Estimativas apontam entre 241 e 306 coletores conseguindo esse nível, com várias variáveis não consideradas, como taxas, transporte e insumos.

Quando o critério é renda de subsistência, o número cai para 161 a 204 coletores. Em cenários de ganho de vida, a faixa fica ainda menor. O total de tartarugas disponíveis impede expansão significativa da atividade.

Os autores destacam que a quota de 50 mil animais por ano é o limite superior para manejo sustentável, dada a queda populacional e o lento ritmo de reprodução. Em outras palavras, não haveria espaço para ampliar legalmente a coleta sem prejudicar espécies.

O estudo também estima ganhos sazonais, considerando retiradas pontuais no ano. Mesmo com esse cenário, a contribuição do comércio legal para renda mensal fica limitada. Em um país com mais de 285 milhões de habitantes, o impacto é pequeno.

A pesquisa aponta que as áreas com maior concentração de coletores ficam nas províncias de Kalimantan, mas a maioria das regiões apresenta apenas um a dois colaboradores atingindo o mínimo. A evidência não sustenta o argumento de que o comércio legal resolve problemas de renda.

Coautores ressaltam que a atividade não é economicamente eficiente nem ecologicamente sustentável. A recomendação é reavaliar cotas ou considerar proibições, acompanhadas de alternativas de subsistência para trabalhadores dependentes do comércio.

A equipe também observa que a fiscalização é essencial para conter o comércio ilegal, que pode chegar a um amplo desvio de quotas em algumas espécies. A pressão de mercado ilegal poderia agravar a crise de populações de tartarugas na região.

Especialistas sugerem que autoridades indianas adotem políticas de substituição como resposta prática, oferecendo opções de renda que não envolvam a exploração de espécies com baixa capacidade de recuperação. A pauta é proteger a biodiversidade enquanto se buscam alternativas viáveis para as comunidades.

O estudo conclui que, mesmo com potencial de ganhos em certos cenários, o comércio de tartarugas de água doce não funciona como solução de sustento. O texto incentiva ações de gestão mais rígidas e medidas de apoio a populações locais sem depender de atividades predatórias.

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