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Cerrado perdeu mais de metade de sua vegetação nativa

Revisão aponta que mais de cinquenta e cinco por cento da vegetação nativa do Cerrado já foi convertida, elevando o risco ecológico e a pressão sobre as bacias hidrográficas nacionais

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Fotografia da trilha arenosa ao longo de um trecho queimado do cerrado, uma ecorregião de savana tropical do Brasil.
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  • Mais de cinquenta e cinco por cento da vegetação nativa do Cerrado já foi convertida, principalmente nas últimas cinco décadas, configurando uma crise ecológica massiva.
  • O Cerrado cobre vinte e quatro por cento do território brasileiro e sustenta grande parte das principais bacias hidrográficas do país.
  • A perda acumulada de vegetação excede um milhão de quilômetros quadrados, com aumento contínuo na última década, impulsionada pela expansão agrícola, urbana, mineração e especulação fundiária.
  • O bioma possui a chamada “floresta invertida”, armazenando cerca de noventa por cento de seu carbono abaixo do solo, o que o torna um importante sumidouro de carbono e regulador hídrico.
  • A proteção atual é insuficiente: 706 Unidades de Conservação abrangem oito por cento do Cerrado, com menos de três por cento sob proteção integral; recomenda-se ampliar áreas protegidas, ampliar Reserva Legal e melhorar rastreabilidade da produção para evitar a perda de habitats.

O Cerrado, importante ecossistema brasileiro, já perdeu mais de 55% da vegetação nativa. Um estudo publicado na Nature Conservation revisa décadas de pesquisa e destaca a crise ecológica no segundo maior Ecodomínio da América do Sul, que cobre 24% do território nacional.

A revisão explica o conceito de Ecodomínio, definido como grandes unidades com condições climáticas e biológicas relativamente uniformes, que incluem diversas ecorregiões. O Cerrado sustenta grandes bacias hidrográficas, mas tem sido pouco incorporado aos debates globais sobre conservação.

Observa-se que a área destruída soma mais de 1 milhão de km², com maior intensidade nos últimos 50 anos. Mesmo com sinais de queda nas taxas de desmatamento, a perda acumulada permanece alta, impulsionada por agricultura, urbanização, mineração e especulação fundiária.

A região é marcada pela chamada floresta invertida: cerca de 90% do carbono fica armazenado no sistema radicular, no solo. Restaurações que priorizam árvores exóticas em áreas abertas podem agravar o problema, exigindo estratégias que preservem bancos de sementes nativas.

O texto ressalta a diversidade de ecossistemas no Cerrado, que vai além da savana. Campos Rupestres, veredas e áreas alagadas são vulneráveis a incêndios, invasões de espécies exóticas e pressões da mineração, pioradas pela expansão do fogo induzido pelo homem.

A pesquisa aponta lacunas na conservação: plantas e invertebrados são os grupos mais ameaçados, mas pouco estudados. Sem dados completos, fica difícil proteger espécies ainda não catalogadas e manter as interações ecológicas que sustentam água e solo.

O estudo também destaca a crise hídrica silenciosa. Irrigação agrícola, contaminação por agroquímicos e barragens afetam rios e veredas, zonas vitais para a regulação hídrica, enquanto setores como agronegócio e energia dependem desses recursos.

Entre as instituições, a proteção vigente é insuficiente. Hoje existem 706 unidades de conservação, que abrangem apenas 8% do Ecodomínio, com menos de 3% sob proteção integral. A análise apresenta dados de reservas legais, APPs e ecótons para orientar políticas públicas.

Para ampliar a proteção, a pesquisa defende reajustes na Reserva Legal para pelo menos 35%, expansão de zonas de proteção e rastreabilidade na produção agrícola. Medidas são apresentadas como essenciais para evitar o colapso ecológico e assegurar o abastecimento hídrico.

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