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Plantas rasteiras do Cerrado ultrapassam 100 anos, aponta estudo

Estudo aponta que plantas pequenas do Cerrado podem ter mais de cem anos, revelando dados sobre clima passado e conservação de campos naturais

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Fotografia da planta Eugenia livida.
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  • Em estudo do Biota Campos, pesquisadores analisaram raízes de mais de duzentas plantas de 107 espécies, em Cerrado e Mata Atlântica, encontrando plantas rasteiras com mais de cem anos; a mais antiga tinha 136 anos.
  • A pesquisa aplica pela primeira vez de forma sistemática a herbocronologia, técnica que usa anéis de crescimento de raízes para estimar a idade de plantas pequenas.
  • A maioria das plantas coletadas da Mata Atlântica tinha menos de dez anos; no Cerrado, raízes mais antigas indicaram idades superiores a um século.
  • Em plantas com seções muito estreitas, técnicas adicionais com corantes permitiram distinguir anéis verdadeiros de anéis falsos, melhorando a leitura da idade.
  • O trabalho alerta sobre a vulnerabilidade dos campos naturais diante de conflitos de uso da terra e planeja um workshop em setembro para propor políticas públicas de conservação e indicar áreas para unidades de conservação.

No Cerrado do interior de São Paulo, pesquisadores revelaram que plantas rasteiras podem ultrapassar 100 anos de idade. A descoberta foi feita por meio da herbocronologia, método que analisa a idade de raízes e tecidos subterrâneos para entender a história desses campos naturais.

O estudo, feito pelo projeto Biota Campos, analisou mais de 200 plantas de 107 espécies em áreas de Cerrado e Mata Atlântica. Em muitos casos, as raízes mostraram idades superiores a um século, com a planta mais velha chegando a 136 anos.

A técnica, que faz parte da dendrocronologia, utiliza anéis de crescimento formados na raiz. O processo envolve corte transversal e lixamento para revelar os padrões de anos consecutivos, associados a condições climáticas e drenagem do solo.

Em plantas muito pequenas, os cientistas recorreram a técnicas adicionais, como o uso de corantes químicos para ampliar a visualização dos anéis sob microscópio. Esse método distingue anéis verdadeiros de possíveis anomalias.

A pesquisadora Giselda Durigan, líder do Biota Campos, explica que as raízes são reservatórios de memória do ecossistema. Segundo ela, o Cerrado tende a rebrotar após incêndios, preservando a estrutura subterrânea que guarda o histórico da vegetação.

Os resultados indicam que, no Cerrado, partes abaixo do solo podem registrar séculos de vida, ao contrário do que se observa acima do solo, frequentemente renovado pela queima. Os achados ampliam o uso da dendrocronologia para campos naturais brasileiros.

Além de estimar idades, a técnica permite inferir condições climáticas de anos específicos. Anéis muito estreitos podem indicar secas ou períodos de baixa pluviosidade, contribuindo para reconstrução histórica do clima nesses ecossistemas.

A pesquisa aponta que campos naturais são mais do que paisagens vazias. Eles guardam biodiversidade elevada, com dezenas de espécies por metro quadrado, e funcionam como cápsulas do tempo da história natural brasileira.

Entre as consequências de longo prazo, Durigan ressalta a importância de políticas públicas para conservar esses campos. Ela critica a falta de reconhecimento social e institucional, que costuma associar áreas sem árvores a degradação.

Campos naturais enfrentam ameaças como expansão urbana, agricultura de soja e milho e plantios de espécies não nativas. Segundo os pesquisadores, proteger esses espaços requer mapeamento preciso e políticas de conservação mais abrangentes.

Em setembro, o Biota Campos promoverá um workshop na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente para discutir a legislação existente e propor medidas públicas. O objetivo é indicar áreas que devem virar unidades de conservação.

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