- O Brasil abriga 2.515 espécies de orquídeas válidas pela ciência, distribuídas em 202 gêneros, com cerca de 1.540 endêmicas, tornando-o o segundo país com mais espécies exclusivas, atrás do Equador.
- A diversificação recente ocorreu nos últimos cinco milhões de anos, quando diferentes linhagens se expandiram nos trópicos, especialmente na América Central, por isolamento em cadeias montanhosas que favoreceram novas espécies.
- A Mata Atlântica é o principal centro de diversidade, com 1.398 espécies e 964 endêmicas, mas está entre os biomas mais degradados, restando cerca de 11% da cobertura original.
- A história científica das orquídeas no Brasil começa no século XVII, com registro inicial durante a ocupação holandesa; a virada veio com a chegada da corte portuguesa em 1808, que abriu os portos e estimulou coletas.
- Ainda há grandes lacunas, como o enorme número de nomes históricos e a baixa avaliação de risco de extinção (apenas 447 espécies avaliadas; 211 já sob alguma ameaça), reforçando a importância de promover o cultivo de espécies brasileiras para conservação.
As orquídeas brasileiras ganharam status mundial como centro de diversidade. Um estudo de revisão, conduzido por pesquisadores nacionais, resume como clima, geografia e história científica ajudaram o Brasil a concentrar mais de 2.500 espécies em diversos biomas.
A pesquisa reúne 26 especialistas e analisa quase quatro séculos de estudos sobre orquídeas no Brasil. O trabalho é publicado na revista Plants, sob a liderança do professor Edlley Max Pessoa, da UFABC. O objetivo é esclarecer a origem, a diversidade atual e os caminhos de pesquisa no país.
Origem antiga, presença brasileira
Genética indica que as primeiras orquídeas apareceram há cerca de 83 milhões de anos, com flores pequenas. Elas viveram no chão, sob sombras de florestas temperadas no hemisfério norte. O Brasil não foi o berço, mas tornou-se ambiente propício para a diversificação.
Diversificação recente
Partes da diversidade brasileira se consolidaram nos últimos 5 milhões de anos, principalmente nas regiões tropicais. A América Central mostra forte acumulação de novas espécies devido ao isolamento gerado por cadeias montanhosas, favorecendo adaptações locais.
Distribuição por biomas
A Mata Atlântica concentra a maior riqueza: 1.398 espécies, com 964 endêmicas. A diversidade resulta da variedade de clima, altitude e solos. No entanto, o bioma é o mais degradado, o que afeta populações de epífitas que dependem de árvores grandes.
A Amazônia registra 784 espécies, menos que a Mata Atlântica, mas o estudo aponta subnotação em áreas altas da floresta, onde as plantas vivem a grandes alturas. A regionalização, porém, ainda esbarra em limitações de coleta e de registro.
Cerrado, Caatinga e outros
No Cerrado há 656 espécies, com muitas vivendo no solo ou em áreas abertas, enfrentando seca e solos pobres. A Caatinga soma 146 espécies, o Pantanal 87 e o Pampa 78, biomas com menor diversidade de orquídeas e menos estudos.
Desafios e lacunas
A revisão aponta que quase 10 mil nomes já foram usados para orquídeas no Brasil, mas muitos foram descartados ou reunidos em menos espécies. Falta compreender polinização e fraqueza de dados sobre ecologia e reprodução.
Poucas espécies brasileiras possuem estudos completos de polinização. Cerca de 60% enganam polinizadores, enquanto outras são altamente especializadas, como algumas catacetíneas, polinizadas por abelhas-das-orquídeas.
Conservação e produção
Avaliando risco de extinção, apenas 447 espécies passaram por avaliação oficial, com 211 ameaçadas. A grande maioria permanece sem análise formal. Embora a diversidade nativa seja grande, o comércio brasileiro ainda depende de espécies de origem asiática.
Especialistas defendem o incentivo à propagação de espécies brasileiras para reduzir o tráfico, fortalecer produtores locais e contribuir para a conservação. O estudo enfatiza a necessidade de ampliar pesquisas, monitoramento e políticas públicas voltadas ao tema.
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