- Investigaçao aponta que CC35, rede de prefeitos, teve o secretário-geral Sebastián Navarro usando a organização para favorecer negócios de carbono por meio da Global Carbon Parks, controlada via Ethic International, com contratos e dívidas envolvendo governos como Santiago del Estero e ações para o mercado de carbono.
- Empresa Global Carbon Parks pretendia renegociar um contrato público-privado de US$ 200 milhões, com metas de créditos de carbono, enquanto audios e documentos indicam controle de Navarro sobre decisões-chave, apesar de ele não possuir stake oficial na empresa.
- Revelações incluem uso de logos não autorizados, conflitos de interesse e planos para “whitewash” governos, além de divergências entre metodologia de créditos, certificação e exploração para o mercado voluntário de carbono (VCM).
- Pactos com governos, dívidas antigas e mudanças de estratégia após a COP28 levaram à queda do acordo com Santiago del Estero em 2024; negociações e processos legais envolvendo executivos da GCP também foram questionados.
- Crises de transparência envolvem Green+ e outros projetos do CC35, com controvérsias sobre uso de recursos, pagamentos pendentes a parceiros e a participação de organizações privadas em financiar atividades associadas a pavilões de COP e iniciativas climáticas.
O jornalismo investigativo aponta que a rede CC35, associada a prefeitos de ações climáticas, opera sob influência de Sebastián Navarro, secretário-geral, que controlava a Global Carbon Parks (GCP) por meio da Ethic International. A apuração indica uso não autorizado de logos, conflitos de interesse e negociações secretas vinculadas a um megacontrato de US$ 200 milhões com a província argentina de Santiago del Estero. A operação seria parte de um elenco de iniciativas como GREEN+.
Relatórios apontam que Navarro utilizou a CC35 para promover interesses privados no setor de créditos de carbono, mantendo controle sobre decisões-chave da GCP mesmo sem participação acionária oficial. A composição acionária da GCP incluía Ethic International como principal mantenedora, com outros membros ligados a entidades de decay de carbono, consultorias e parcerias regionais.
A investigação descreve auditorias internas, dívidas herdadas e mudanças estratégicas após a COP28. Áudios filtrados indicam que Navarro orientava negociações e planos para “whitewash” governos, além de pressões para acelerar contratos e rotas de financiamento, enquanto dívidas e retrabalhos surgem como desdobramentos.
Contexto do acordo de 2021 a 2024
Em 2021, foi anunciando na COP26 um contrato de US$ 200 milhões entre Global Carbon Parks e a província de Santiago del Estero, com foco em créditos de carbono de áreas protegidas. A parceria previa mecanismos de financiamento para conservação e descarbonização, envolvendo governos subnacionais e mercados voluntários de carbono.
A estrutura societária envolvia Ethic International como acionista majoritária da GCP, com Navarro atuando como gestor estratégico, ainda que sem participação formal. Diversos investidores e empresas, como Allcot e Cercarbono, contestaram a metodologia de créditos proposta pela GCP, apontando riscos de superavaliação e falhas de governança.
Relatos de interlocutores mostram que a estratégia passou por renegociação com Santiago del Estero e pela tentativa de resposta a questionamentos legais por parte de funcionários, ex-CEOs e parceiros que migraram da iniciativa. Em conversas gravadas, Navarro descreve controle sobre decisões e a criação de um modelo de créditos que privilegiaria receitas para o mercado voluntário, levantando críticas sobre a integridade ambiental.
Desdobramentos legais e institucionais
A apuração aponta que, até 2023, a GCP perdeu aliados relevantes, enfrentou ações legais ligadas a uma suposta fraude em projetos paralelos e teve que reconfigurar contratos com governos subnacionais. Em 2024, o contrato com Santiago del Estero não avançou; houve registro de jugamento negativo em tribunais espanhóis quanto a ações movidas por um ex-CEO, e a GCP, bem como a Ethic International, passaram a inativar atividades.
A CC35, por sua vez, teve mudanças em sua estrutura de atuação, com o GREEN+ buscando monitorar florestas por meio de parcerias com a indústria espacial. Em 2024, o programa firmou acordos para monitoramento com a OroraTech, mas houve contestação sobre a real execução dessas parcerias e sobre a legitimidade do uso de logos de terceiros sem autorização.
Paralelamente, surgiram críticas sobre transparência e governança da CC35. Entidades parceiras, ex-gestores e figuras públicas questionaram a origem de recursos, a formalização de contratos e a relação com governos locais. Jurídicos, autoridades ambientais e representantes de organizações civis foram consultados para entender a extensão das obrigações administrativas da CC35 e de seus parceiros.
Pontos-chave e próximos passos
A investigação aponta que há necessidade de esclarecer a autenticidade de contratos, a participação societária real de Navarro na GCP e a legitimidade das avaliações de créditos de carbono propostas. Mediadores e certificadores independentes também foram acionados para avaliar a metodologia de créditos apresentada pela GCP.
A apuração acompanha ainda o desdobramento de ações administrativas envolvendo a CC35, seus financiadores privados e acordos com governos regionais. A cobertura continuará acompanhando o andamento de auditorias, decisões judiciais e eventuais novas parcerias ou descontinuidades que afetem a governança e a transparência das operações ligadas a créditos de carbono e financiamento climático.
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