- A Organização Mundial da Saúde confirmou, em 15 de maio, que o surto de Ebola na República Democrática do Congo é real e está em andamento.
- Menos de uma semana depois, já são 600 casos suspeitos, 139 mortes suspeitas e 51 casos laboratoriais confirmados; as amostras são analisadas em Kinshasa, a cerca de 1.700 quilômetros do foco em Ituri.
- O surto já atingiu grandes cidades, incluindo Kinshasa, Kampala e Goma, em uma região marcada por insegurança e deslocamentos de população.
- Em 17 de maio, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional; estima-se que o número real possa ser ainda maior devido ao atraso na detecção.
- A doença é causada pela estirpe Bundibugyo, para a qual não há vacina ou tratamento aprovados; candidatas a vacinas estão em estudo e podem entrar em ensaios clínicos em dois a três meses.
O surto de Ebola que teve início na República Democrática do Congo foi oficialmente confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 15 de maio. Até o momento, há mais de 600 casos suspeitos, 139 mortes associadas e 51 casos laboratoriais confirmados. As estatísticas diferem porque as amostras precisam ser analisadas em Kinshasa, a cerca de 1.700 quilômetros do foco no Ituri, antes da confirmação oficial. Os primeiros sintomas do vírus se assemelham aos da malária, comuns na região.
A OMS informou que o quadro pode piorar, já que o período de circulação do vírus antes da detecção tende a aumentar os números. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus ressaltou a necessidade de ações urgentes para evitar novas mortes e mobilizar uma resposta internacional. A epidemia pode ser maior do que as estimativas atuais.
Em 17 de maio, a OMS declarou a emergência de saúde pública de interesse internacional (PHEIC) devido à expansão regional. O vírus causador é a cepa Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. O surto já atingiu grandes cidades, incluindo Kinshasa, Kampala e Goma, na região de North Kivu, sob controle de grupos armados.
Contexto regional e impactos
Ghebreyesus divulgou que a região de Ituri está marcada por alta insegurança, com conflito ampliando deslocamentos de mais de 100 mil pessoas nos últimos dois meses. A área é também um polo de mineração, o que aumenta o movimento populacional e o risco de propagação do vírus.
Um cidadão americano que trabalha na DRC também testou positivo e foi transferido para Berlim, na Alemanha, para tratamento. Desde 17 de maio, o Departamento de Estado dos EUA elevou a DRC a um nível 4 de aviso de viagem, desencorajando viagens não essenciais ao país.
Avanços em pesquisa e resposta
Vasee Moorthy, médico da OMS e atuante na liderança da R&D Blueprint, afirmou que várias candidatas a vacinas estão em estudo. No cenário ideal, uma dessas candidatas poderia entrar em ensaios clínicos dentro de dois a três meses, embora haja incertezas quanto à eficácia e logística. A OMS continua monitorando a evolução da transmissão e coordenando a resposta internacional.
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