- A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, aumentando os custos de exportação de soja no Brasil, que depende de caminhões movidos a diesel.
- O Brasil vive o pico do escoamento da soja; o diesel mais caro encarece o transporte até os terminais e PRESSiona a inflação.
- Traders de commodities suspenderam ofertas de soja no país na semana passada devido à incerteza sobre custos de frete.
- Sem ferramentas de hedge contra picos de preço, compradores ficam expostos a perdas; há expectativa de sobretaxas de emergência em algumas empresas de transporte.
- Governo reduziu impostos sobre combustíveis, mas menor impacto na incerteza logística; custos de frete podem elevar ainda mais dificuldades de planejamento.
O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, eleva os custos para exportadores brasileiros de soja. Caminhões movidos a diesel são o principal meio de transporte das safras até os terminais, pressionando as margens. As informações são de analistas e corretores ouvidos pela Bloomberg News.
A indústria brasileira de soja vive o pico do escoamento, com fretes mais caros chegando aos custos logísticos e à inflação da economia. Traders suspenderam ofertas no mercado local na semana passada devido ao medo de elevação rápida dos fretes.
O diesel corresponde a uma parcela relevante dos custos de comercialização, e a ausência de instrumentos de hedge agrava o risco de perdas para comerciantes que negociam safras para entrega futura. A atividade de trading ficou mais contida diante da volatilidade de frete.
João Henrique Teodoro, consultor da Patria Agronegócios, destacou que as remessas para a China enfrentaram questões sanitárias recentemente, reduzindo a atividade de traders no Brasil. O país é o principal fornecedor de soja para a China nesta época do ano.
A guerra pode criar gargalos logísticos se o frete continuar volátil, podendo levar importadores a buscar origens alternativas, como EUA ou Argentina. Analistas enfatizam a necessidade de planejamento para evitar impactos na cadeia.
Adriano Gomes, analista da AgRural, afirmou que as empresas precisam de planejamento para mitigar riscos de custos de frete. Enquanto isso, o governo brasileiro informou medidas de redução de impostos sobre combustíveis para conter impactos ao consumidor, mas não resolve a incerteza para o transporte rodoviário.
Silvio Kasnodzei, presidente do sindicato das operadoras de carga no Paraná, indicou que sobretaxas emergenciais podem surgir sem sinal de alívio. O estado é importante produtor agrícola e enfrenta pressão para manter o fluxo de caminhões.
Rodrigo Gonçalves, CEO da goFlux, afirmou que vendedores que reservam cargas para meses futuros ficam expostos a variações de frete. Um aumento nos custos pode transformar negócios lucrativos em prejuízo, segundo o executivo.
A alta de fretes acontece em meio a uma sazonal demanda elevada e a contornos de infraestrutura precária. Em março, o diesel nos postos subiu quase 14% versus início de mês, ainda que a Petrobras tenha mantido o preço estável até então.
No Brasil, pesquisas indicam que 55% da soja chega aos portos via caminhões, evidenciando dependência do transporte rodoviário. Investimentos ferroviários e fluviais não acompanharam o crescimento da produção, ampliando a vulnerabilidade logístico.
As pressões sobre frete ocorrem em um momento em que a guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza de custos e pode influenciar fluxos de exportação, com efeitos potenciais sobre preços e disponibilidade de soja no Brasil. (Fim da síntese)
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