- Salman Rushdie disse estar cansado de ser visto como a “barbie da liberdade de expressão” quatro anos após sobreviver a um ataque que o deixou cego no olho direito.
- O ataque ocorreu em agosto de 2022, quando ele foi esfaqueado no palco durante uma palestra na instituição Chautauqua, em Nova York.
- O réu, Hadi Matar, foi condenado a vinte e cinco anos de prisão pela tentativa de assassinato e a sete anos pela ferimento ao moderador Ralph Henry Reese.
- Rushdie afirmou que prefere falar sobre seus livros e que já voltou a escrever ficção, após a publicação de um memoir sobre o ataque e do romance mais recente, The Eleventh Hour.
- Em recente encontro em Tulane, em Nova Orleans, ele destacou que não deseja ser lembrado pela violência, mantendo o foco em sua obra e na defesa da liberdade de expressão.
Salman Rushdie afirmou que está cansado de ser visto como símbolo de liberdade de expressão após o ataque de 2022, e que prefere manter o foco em sua obra literária. A declaração foi feita durante uma conversa com o jornalista George Packer, em Tulane University, em New Orleans, na sexta-feira.
O escritor, nascido na Índia e com cidadania britânica e norte-americana, sofreu ferimentos graves durante uma palestra em agosto de 2022, quando foi atacado por um homem com faca no Chautauqua Institution, nos Estados Unidos. O ataque deixou Rushdie com danos graves na região abdominal e na visão do olho direito, que ele não recuperou.
O agressor, Hadi Matar, foi condenado a 25 anos de prisão pela tentativa de assassinato. Matar também recebeu pena de sete anos de prisão pela agressão contra o moderador da palestra, Ralph Henry Reese. A sentença foi anunciada em maio de 2025.
Em seus comentários, Rushdie disse que não se sente mais como um símbolo, mas sim como um escritor ativo, determinado a promover suas obras. Além de defender a liberdade de expressão, ele destacou o papel de defender a ficção e manter o foco em seus livros.
Após o episódio, Rushdie publicou memórias sobre o ataque, intituladas Knife, lançadas em 2024, que o levaram a refletir sobre o trauma. Em seguida, publicou a coletânea de contos The Eleventh Hour, em novembro, marcando seu retorno à ficção após o atentado.
Rushdie também destacou a experiência de atuar como presidente da PEN America, entidade ligada à defesa de escritores e da liberdade de expressão, reforçando que ataques à expressão costumam vir de elites e de setores religiosos. Ele sinalizou preocupações com autocensura entre jovens autores e com apropriação cultural excessiva.
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