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O Nome da Uva analisa origens e características

Entre literatura e viés cotidiano, Eco preferia vinho branco e conversa à carta, revelando como rótulos influenciam a percepção da verdade

Prodigioso. Eco achou um ponto intermediário entre a erudição e o apelo às massas – Imagem: Redes Sociais
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  • Em 1985, o cineasta Jean-Jacques Annaud escolheu o Kloster Eberbach, abadia cisterciense no Rheingau, para filmar O nome da Rosa; a trama se passa em 1327, e a uva Riesling tem primeira documentação em 1435, bem depois do período retratado.
  • Na abadia, os monges bebiam Elbling, enquanto hoje a principal produção local é a Riesling; o filme usou vinhedos ao redor, mas não necessariamente da variedade histórica.
  • Umberto Eco, semiólogo e autor, lançou em 1985 o livro Como viajar com um salmão, com crônicas que vão de comida de avião a futebol, incluindo episódios de viagens e observações culturais.
  • Na Itália, Eco tinha uma relação discreta com vinhos e preferia deixá-los à sugestão da casa quando visitava a enoteca histórica de Bolonha, ao meio-dia e quinze, valorizando conversa e companhia sobre a carta.
  • Eco faleceu em fevereiro de 2016; em fevereiro deste ano, a Antica Drogheria Calzolari, sua enoteca favorita em Bolonha, fechou as portas após décadas de funcionamento.

O cineasta Jean-Jacques Annaud escolheu o Kloster Eberbach, na Alemanha, para gravar cenas de A Nome da Rosa, em 1985, após uma busca por séculos de história. O local abriga vinhedos e foi cenário para interiores, com predominância de uvas distintas do que a trama retrata. A equipe contou com consultoria histórica de Jacques Le Goff.

Sean Connery vive Guilherme de Baskerville e as filmagens do mosteiro beneditino ocorreram na região do Rheingau, famosa hoje por vinhos Riesling. A tradição do lugar contrasta com o enredo, já que na narrativa a uva Elbling era a bebida comum dos monges.

Na história ambientada em 1327, a primeira menção documentada da Riesling é de 1435, gerando um hiato de mais de um século entre a ficção de Eco e a evidência histórica da variedade. Enquanto isso, os monges seguiam a Regra de São Bento, com breves quantidades de vinho diárias.

Eco, cuja ligação com o mundo da bebida não se limitava à ficção, figura como observador da cultura em sua obra. Em Bolonha, a enoteca histórica de Stefano Delfiore, que fechou as portas em 2026, recebia o escritor ao meio‑dia, segundo relato do proprietário. Eco preferia vinho branco à carta de safras, valorizando a conversa.

Dentre as perdas da vida real, Eco também escreveu sobre cafés, viagens e cenas cotidianas. Em suas crônicas, descreveu situações como um salmão defumado destinado a Londres, com episódios de falhas logísticas em hotéis de luxo e em serviços de quarto. As narrativas revelam uma visão crítica bem-humorada sobre rotinas modernas.

O escritor faleceu em 2016. Em 2026, a enoteca favorita em Bolonha encerrou atividades, marcando o fim de uma era para a memória de Eco. As histórias, crônicas e livros permanecem como legado, sem que o local físico volte a existir.

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