- Idris Elba liderou o leilão de obras com uma nova série de thrillers, incluindo um agente do MI6 em Maurício para investigar um atentado.
- Direitos também foram vendidos para a primeira autobiografia de Alex Ferguson em 13 anos, além de livro infantil de Mishal Husain e a biografia de Paul Smith.
- Forte performance de fantasia e romcom, com Moya Lothian-McLean lançando “sharp, sexy romantic comedy” e dois livros de Shannon Chakraborty adquiridos por soma expressiva.
- Debates sobre o Ano Nacional da Leitura e avanços/limites da censura semelhante aos EUA, com necessidade de mais evidências para medir o problema no Reino Unido.
- Discussões sobre diversidade na publicação, inclusividade e impactos de autoritarismo, com alertas sobre efeitos de políticas públicas e leis de difamação.
O London Book Fair chegou ao fim nesta quinta-feira, encerrando três dias de encontros entre agentes, editores e autores. Ao todo, 33 mil pessoas acompanharam o evento no Olympia, para debater negociações no mercado editorial e perspectivas para o setor.
Entre os acordos de maior destaque, Idris Elba lança uma nova série de thrillers em parceria com outro escritor, centrada em um agente da MI6 que chega a Maurício para investigar uma tentativa de homicídio. Além disso, houve a aquisição dos direitos da primeira autobiografia de Alex Ferguson em 13 anos, do livro infantil de Mishal Husain e da história da vida do designer Paul Smith.
O salón de lançamentos ficou marcado pela força de fantasia e comédia romântica, com a jornalista Moya Lothian-McLean apresentando sua rom-com “sharp, sexy romantic comedy”, além de dois títulos de fantasia adulta de Shannon Chakraborty com negociação de sete dígitos. Títulos de não ficção também dominaram as negociações, incluindo temas como GLP-1s, curiosidade sobre sobriety e temas de fim da vida assistida.
Durante a feira, a campanha Nacional Year of Reading foi tema recorrente em painéis e palestras. A Publishers Association informou que já foram recrutados 16 mil voluntários de uma meta de 100 mil. Palestrantes sugeriram que a iniciativa pode servir de modelo para campanhas em outros países, mas ressaltaram que mudanças de comportamento levam tempo.
A discussão sobre censura ganhou destaque em um encontro promovido pela English PEN, com debates sobre se o modelo de censorship dos EUA estaria chegando ao Reino Unido. Há relatos de pedidos de remoção de livros feitos por bibliotecários, especialmente com títulos LGBTQ+, mas ainda sem dados que dimensionem o fenômeno no país. Especialistas indicaram que a pressão tende a partir de indivíduos, como pais e diretores, e não de grupos organizados.
Outro tema relevante foi o recuo em relação à diversidade nas lojas e editoras. Executivos de editoras relataram queda de propostas de obras de autores negros em reuniões de pitch, destacando barreiras percebidas no mercado. Autores e defensoras mencionaram pressões históricas de estereótipos que dificultam o acesso de comunidades específicas.
O debate sobre o impacto de regimes autoritários na indústria também reuniu vozes na PEN. A defesa de livros como ferramenta de resistência foi apontada por representantes de editoras, que citaram casos de ações legais de SLAPP e a importância de manter a tolerância ao acesso a informações. Autores que mudaram de nacionalidade destacaram a percepção de que regimes conservadores veem os livros como forma de contornar censura.
Em meio às discussões, figuras do setor ressaltaram a necessidade de evidências mais robustas para compreender a censura no Brasil e no Reino Unido. Observa-se, segundo participantes, uma relação entre o aumento do interesse público pela leitura e o enviesamento crítico de padrões de inclusão no mercado editorial.
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