- Após a morte de Gertrude Stein, em 1946, Alice B. Toklas ficou sem recursos e recusou escrever a biografia proposta pelo editor, propondo em vez disso um livro de culinária que reunisse memórias, início da ideia do que viria a ser o “Livro de Cozinha de Alice B. Toklas”.
- O livro, publicado em 1954, mescla receitas com memórias da guerra e do modernismo, num retrato da França do pós-guerra e da relação de Toklas com a herança de Stein.
- Artistas como Pablo Picasso aparecem na obra, com cenas como um linguado “pintado” com maionese e trufas, gerando comentário ácido sobre rivalidade entre Picasso e Matisse.
- Há trechos como “Assassinato na Cozinha”, em que Toklas descreve abates de pombos, aprendizados sobre matar aves e reflexões sobre o desconforto intelectual da ação.
- No desfecho, Toklas enfrentou a perda de reconhecimento e de obras de Picasso por herdeiros; o livro permaneceu como seu ato de soberania e como registro da vida vivida e do século XX.
Alice B. Toklas transformou a vida de Gertrude Stein em um livro que mistura memória e culinária. Após a morte de Stein em 1946, Toklas, aos 75 anos, enfrentou dificuldades financeiras e recebeu a ideia de escrever uma biografia.
Ela recusou a ideia tradicional e criou, em vez disso, um livro de receitas que também conte memórias da guerra e do modernismo. A obra saiu em 1954, oito anos depois de iniciado o projeto, atravessando o pós-guerra e as disputas com curadores.
A narrativa inclui momentos icônicos, como a relação com Picasso e a disputa entre egos na Paris de então. Também aparecem episódios inusitados, como viagens a Chablis e a preparação de pombos, sempre com uma visão aguda da época.
O livro de Toklas acabou por se tornar uma referência além da culinária, associado à estética cubista e ao ambiente literário da época. Mesmo sem o reconhecimento literário imediato, ele consolidou a voz de Toklas na história cultural do século XX.
Ao longo da vida, Toklas manteve a privacidade de Stein e sua herança, enquanto preservava a coleção de arte em poder dos curadores. O lançamento final do volume marcou a afirmação de Toklas como autora de sua própria história.
O legado do livro reside na ideia de que a cozinha pode entrelaçar memórias, política e arte. Toklas registrou suas experiências com honestidade, convertendo lembranças em uma obra que perdura na memória cultural.
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