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Par de romances criativos sobre migração

Dois romances exploram deslocamento, assimilação e exílio, ampliando o debate sobre imigração na América e as narrativas de famílias sob pressão

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
A series of book covers laid over a yellow and white background.
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  • The Renovation acompanha uma narradora que foge de Erdoğan e passa a viver numa vila italiana, cuidando do pai e relembrando Istambul, em uma mistura de real e surreal.
  • O romance destaca uma casa de banho transformada em cela, símbolo da repressão política na Turquia e do exílio imposto pela crise do país.
  • Good People acompanha Zorah Sharaf, jovem afegã-americana em Riverside, Virgínia, cuja morte leva a uma investigação em formato documental sobre raça, riqueza e imigração.
  • As obras exploram migração, assimilação e exílio em contextos diferentes — turco contemporâneo e experiência imigrante afro-asiática nos EUA — mantendo tom objetivo e sem julgamentos.

A Pair of Inventive Novels on Migration traz duas obras que exploram deslocamento, assimilação e exílio. Os lançamentos chegam em fevereiro de 2026, em meio ao debate sobre imigração na América. As narrativas alternam entre o real e o surreal para reconstruir identidades sob pressão político-social.

Kenan Orhan apresenta The Renovation, em tradução livre Um Reformar, pela Farrar, Straus and Giroux. O livro de 256 páginas custa 27 dólares e chega em fevereiro de 2026. A trama acompanha uma narradora que vive em uma vila italiana após fugir da repressão em Istambul, cuidando do pai doente e revisitando memórias da Turquia.

A obra mergulha na ruptura causada pela ascensão do nacionalismo religioso na Turquia recente, incluindo protestos de Gezi Park, tentativas de golpe e purgas. A narrativa alterna entre o idioma italiano, mais leve, e o turco, mais melancólico, revelando como a língua molda a identidade da protagonista e de seu pai, um cientista político dissidente.

The Renovation: detalhes e contexto

Orhan, escritor turco-americano, utiliza a figura do presídio improvisado no banheiro como símbolo do confinamento político. A história acompanha a relação entre a narradora e o pai, que enfrenta Alzheimer avançado e realidades turcas que não mais existem. O trecho sugere uma crítica sutil ao autoritarismo.

A narrativa ganha força pelo tom híbrido: às vezes cômica, às vezes pungente, mantendo o ritmo de ficção especulativa. O livro coloca questões sobre memória, exílio e o esforço de reconstruir uma vida fora do país de origem. O enredo recorre a imagens de confinamento para falar de liberdade.

Patmeena Sabit assina Good People, pela Crown, com 400 páginas, também em fevereiro de 2026. O romance acompanha Zorah Sharaf, jovem de origem afegã-americana, moradora de Riverside, subúrbio de Virginia. Os Sharaf ascenderam a uma vida de renda alta após chegarem aos EUA como refugiados.

A obra parte de uma tragédia: a morte de Zorah, em circunstâncias que parecem acidentais, e a investigação policial inconclusiva. O enredo adota o formato de documentário, apresentando depoimentos de familiares, vizinhos, colegas e profissionais, para revelar uma imagem complexa da família e da sociedade.

Good People: temas e abordagem

Sabit questiona temas como sexo, raça, riqueza e relativismo cultural, sem oferecer uma conclusão definitiva sobre o caso. O romance expõe o abismo entre o sonho americano dos pais e a realidade vivida pela filha, que desafia tradições familiares em nome de sua própria identidade.

A narrativa também aborda o aumento da islamofobia e a violência contra muçulmanos nos EUA, em meio a uma cobertura midiática que tende a simplificar casos complexos. A autora afirma buscar uma história intercultural profunda, além das narrativas sensacionalistas.

Lançamentos de fevereiro, em síntese

Em meio aos dois títulos centrais, outras publicações internacionais chegam ao mercado em fevereiro. Mario Vargas Llosa revisita o Peru com I Give You My Silence, em tradução de Adrian Nathan West. Outros lançamentos incluem Cleaner, de Jess Shannon; Heap Earth Upon It, de Chloe Michelle Howarth; They, de Helle Helle; Every Exit Brings You Home, de Naeem Murr; A Parish Chronicle, de Halldor Laxness; Autobiography of Cotton, de Cristina Rivera Garza; One of Us, de Elizabeth Day; White Nights, de Urszula Honek, e White River Crossing, de Ian McGuire.

Fontes destacam que a seleção reúne obras que ressaltam migração, identidade e contexto político, sem reforçar estereótipos ou julgamentos. As informações sobre os títulos também aparecem como parte de um panorama editorial que privilegia vozes internacionais e temas globais.

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