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Paris em festa: momentos históricos que marcaram a celebração na cidade

Centenário de O Sol Também se Levanta mostra Paris como refúgio criativo da geração expatriada, entre ostras, leitão assado e busca de sentido

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Quando Paris foi uma festa
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  • A frase de Gertrude Stein sobre uma “geração perdida” ganhou status de epígrafe de O Sol Também se Levanta; Hemingway ouviu a frase e reagiu com ceticismo.
  • O romance, publicado em 1926, retrata a geração de expatriados americanos em Paris nos anos 1920, com Jake Barnes e Lady Brett Ashley em busca de sentido.
  • A cidade foi um polo boêmio, reunindo artistas como Miró, Picasso, Dalí, Fitzgerald, Pound e Joyce, em um momento em que Paris era barata para quem tinha dólares.
  • Shakespeare and Company e a casa na rue de Fleurus funcionavam como centros da vanguarda, frequentados por Hemingway, Gertrude Stein e Alice B. Toklas.
  • Parte da narrativa atravessa a Espanha, especialmente Madri; o Restaurante Botín aparece no capítulo final, onde Jake e Brett jantam, celebrando o leitão assado e a continuidade do local.

O texto celebra o centenário de O Sol Também se Levanta, marco da geração que viveu o pós-guerra em Paris. A famosa expressão da escritora Gertrude Stein serviu de epígrafe para a obra de Hemingway, captando a inquietação de uma turma que observava o mundo com ceticismo e criava na cidade luz uma obra-prima.

O episódio que deu origem ao rótulo ocorreu no pátio do número 113 da rue Notre-Dame-des-Champs, em Paris. Stein afirmou que os jovens que lutaram na guerra formavam uma geração perdida. Hemingway, presente na época, ouviu o veredito e registrou a troca, que ganhou vida na obra publicada em 1926.

A gênese da geração perdida

A frase tornou-se símbolo de uma geração expatriada que escolheu Paris como refúgio criativo. O romance apresenta Jake Barnes, narrador ferido na guerra, e Lady Brett Ashley, figura de elegância fragilizada, em jornadas por cafés e praças espanholas em busca de sentido.

Paris, nesse período, oferecia custo de vida acessível a artistas com dólares. A cidade atraiu nomes como Joan Miró, Picasso, Salvador Dalí, Scott Fitzgerald, Ezra Pound e James Joyce, que passaram a influenciar a cena artística da época.

O ambiente que moldou a obra

A livraria Shakespeare and Company, frequentada por Hemingway, tornou-se espaço de encontros literários. A residência de Gertrude Stein e Alice B. Toklas na rue de Fleurus funcionava como centro da vanguarda, retratado mais tarde pelo cinema. A cidade fervia com cubismo, dadaísmo e surrealismo.

Hemingway descreve, em sua memória, os prazeres da mesa parisiense: ostras frescas, pão ainda quente, queijos de mercados. O gosto por champagne acompanhava relatos de viagens por rios de tinta e por mares de inspiração, com predileção por peixes como truta e salmão.

A relação com a Espanha e o enredo

Segundo o jornalista Sergio Augusto, autor de E Todos Foram para Paris, o romance ajudou a moldar a boemia da época mais do que qualquer outra obra. O estilo de frases diretas, diálogos enxutos e descrições objetivas representou uma mudança significativa na literatura inglesa.

Parte significativa da narrativa se desloca para a Espanha, onde a paixão de Hemingway pela tourada permeia as páginas. A tragédia ritualizada das corridas de touros funciona como eixo temático de coragem, morte e rito, aproximando o romance de uma leitura de hormônio humano diante do destino.

O Botín e o fechamento da obra

Na Espanha, o Restaurante Botín, fundado em 1725, aparece como cenário de encerramento, quando Jake e Brett se sentam para jantar após os fracassos amorosos. O forno a lenha original funciona até hoje, e Hemingway o tornou parte de sua vida, sendo alvo de repetidas visitas ao longo dos anos.

O Botín representa a permanência de uma cerimônia culinária em meio à instabilidade das relações humanas. Três garrafas de Rioja aparecem como parte de um ritual que simboliza a busca por um senso de integridade diante de perdas na vida afetiva.

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