- László Krasznahorkai ganhou o Prêmio Nobel de Literatura deste ano e Gyula celebrou com outdoors e uma programação de leituras, oficinas e exposição, mesmo ele não estando presente.
- O premiado mora fora da Hungria atualmente, em meio a um ambiente cultural cada vez mais hostil descrito por autores e grupos de direitos humanos, com críticas ao governo de Viktor Orbán.
- Muitos escritores húngaros emigraram, como Gergely Péterfy, que se mudou para o sul da Itália para criar uma comunidade de artistas.
- O governo Fidesz tem pressionado instituições culturais, com controle sobre universidades, galerias e meios de comunicação, além de financiar fortemente o Mathias Corvinus Collegium e manter leis anti-LGBTQ que impactam livrarias independentes.
- Em Gyula, autoridades pretendem colocar uma placa na casa onde Krasznahorkai cresceu, além de planejar visitas temáticas; moradores veem com orgulho a ligação do município ao escritor.
O escritor László Krasznahorkai venceu o Nobel de literatura deste ano, tornando-se o primeiro laureado da região de Gyula. A cidade leste[hungary] celebra com painéis que anunciam a conquista, enquanto o premiado, hoje residindo fora do país, é lembrado em uma programação de leituras e exposições dedicada aos premiados húngaros.
Mesmo com o reconhecimento internacional, Krasznahorkai não participou da cerimônia. Em seu país, porém, a reação é ambígua e revela o ambiente político em transformação. A esquerda e setores da sociedade civil denunciam retrocessos culturais sob o governo de Viktor Orbán, de orientação conservadora.
Contexto político e cultural
O governo do Fidesz intensificou o controle sobre universidades, galerias e meios de comunicação. A gestão de recursos culturais passou a privilegiar jornalistas e escritores alinhados ao poder, reduzindo espaço para vozes independentes e para editoras menores.
Indústrias do livro enfrentam estreitamento financeiro. O fundo cultural nacional distribui mais recursos para apoiar obras pró-governo, o que acarreta queda de receita para publicações independentes e para o pagamento de colaboradores.
Impacto na cena literária
A produção literária independente enfrenta pressões de financiamento e de publicidade. Autores jovens relatam dificuldades para obter renda estável no país, com parte do ecossistema local migando para cenas internacionais ou buscando parcerias em editoras alternativas.
A atuação de instituições como o Mathias Corvinus Collegium MCC, ligada a uma linha educacional conservadora, intensifica as disputas no setor. Em 2023, o MCC assumiu o controle acionário de Libri, principal grupo de livrarias e editoras, trazendo controvérsias sobre censura e alinhamento político.
Realinhamentos e repercussões
O aceso do MCC favoreceu políticas de censura prática, com exemplos de editoras que passaram a adotar diretrizes alinhadas ao governo para evitar sanções. Líra, segunda maior rede de livrarias, enfrentou multas por desrespeitar leis anti-LGBTQ e contesta judicialmente as penalizações.
Em Gyula, a administração municipal planeja reconhecer Krasznahorkai com uma placa na casa onde cresceu e a criação de uma biblioteca escolar em sua homenagem. A cidade também discute percursos culturais ligados ao premiado, inspirados em iniciativas literárias de outras metrópoles.
Reação local e internacional
Vários intelectuais deixam o país, citando dificuldades decorrentes da agenda cultural governamental. Entre eles, autores que buscavam prosperidade artística no exterior, mantendo contatos com editoras independentes para acompanhar a produção doméstica.
Apesar das tensões, a premição é celebrada em toda a Hungria, com participação de comunidades que não aderem a alinhamentos partidários. O reconhecimento internacional de Krasznahorkai é visto por alguns como uma prova de vitalidade da língua húngara, diante de pressões políticas.
Perspectivas futuras
Especialistas apontam que o cenário cultural continuará sob escrutínio, com a manutenção de tensões entre políticas públicas e autonomia criativa. Observadores ressaltam a importância de preservar espaços independentes para a literatura como expressão de pluralidade.
Em Gyula, a celebração do Nobel ganhou contornos locais, com ações oficiais para homenagear o escritor e incentivar roteiros culturais que conectem a cidade ao cenário literário global. A expectativa é de continuidade de debates sobre cultura, liberdade de expressão e identidade nacional.
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