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É difícil viver: escritores húngaros lamentam ambiente hostil no país

Nobel de literatura de 2025 ressalta polarização na Hungria, com artistas emigrando e maior controle estatal sobre editoras e cultura

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
László Krasznahorkai at a Nobel winners’ dinner in Stockholm. Judges cited his “his compelling and visionary oeuvre”. Photograph: Jonas Ekströmer/TT/Shutterstock
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  • László Krasznahorkai ganhou o Prêmio Nobel de Literatura deste ano e Gyula celebrou com outdoors e uma programação de leituras, oficinas e exposição, mesmo ele não estando presente.
  • O premiado mora fora da Hungria atualmente, em meio a um ambiente cultural cada vez mais hostil descrito por autores e grupos de direitos humanos, com críticas ao governo de Viktor Orbán.
  • Muitos escritores húngaros emigraram, como Gergely Péterfy, que se mudou para o sul da Itália para criar uma comunidade de artistas.
  • O governo Fidesz tem pressionado instituições culturais, com controle sobre universidades, galerias e meios de comunicação, além de financiar fortemente o Mathias Corvinus Collegium e manter leis anti-LGBTQ que impactam livrarias independentes.
  • Em Gyula, autoridades pretendem colocar uma placa na casa onde Krasznahorkai cresceu, além de planejar visitas temáticas; moradores veem com orgulho a ligação do município ao escritor.

O escritor László Krasznahorkai venceu o Nobel de literatura deste ano, tornando-se o primeiro laureado da região de Gyula. A cidade leste[hungary] celebra com painéis que anunciam a conquista, enquanto o premiado, hoje residindo fora do país, é lembrado em uma programação de leituras e exposições dedicada aos premiados húngaros.

Mesmo com o reconhecimento internacional, Krasznahorkai não participou da cerimônia. Em seu país, porém, a reação é ambígua e revela o ambiente político em transformação. A esquerda e setores da sociedade civil denunciam retrocessos culturais sob o governo de Viktor Orbán, de orientação conservadora.

Contexto político e cultural

O governo do Fidesz intensificou o controle sobre universidades, galerias e meios de comunicação. A gestão de recursos culturais passou a privilegiar jornalistas e escritores alinhados ao poder, reduzindo espaço para vozes independentes e para editoras menores.

Indústrias do livro enfrentam estreitamento financeiro. O fundo cultural nacional distribui mais recursos para apoiar obras pró-governo, o que acarreta queda de receita para publicações independentes e para o pagamento de colaboradores.

Impacto na cena literária

A produção literária independente enfrenta pressões de financiamento e de publicidade. Autores jovens relatam dificuldades para obter renda estável no país, com parte do ecossistema local migando para cenas internacionais ou buscando parcerias em editoras alternativas.

A atuação de instituições como o Mathias Corvinus Collegium MCC, ligada a uma linha educacional conservadora, intensifica as disputas no setor. Em 2023, o MCC assumiu o controle acionário de Libri, principal grupo de livrarias e editoras, trazendo controvérsias sobre censura e alinhamento político.

Realinhamentos e repercussões

O aceso do MCC favoreceu políticas de censura prática, com exemplos de editoras que passaram a adotar diretrizes alinhadas ao governo para evitar sanções. Líra, segunda maior rede de livrarias, enfrentou multas por desrespeitar leis anti-LGBTQ e contesta judicialmente as penalizações.

Em Gyula, a administração municipal planeja reconhecer Krasznahorkai com uma placa na casa onde cresceu e a criação de uma biblioteca escolar em sua homenagem. A cidade também discute percursos culturais ligados ao premiado, inspirados em iniciativas literárias de outras metrópoles.

Reação local e internacional

Vários intelectuais deixam o país, citando dificuldades decorrentes da agenda cultural governamental. Entre eles, autores que buscavam prosperidade artística no exterior, mantendo contatos com editoras independentes para acompanhar a produção doméstica.

Apesar das tensões, a premição é celebrada em toda a Hungria, com participação de comunidades que não aderem a alinhamentos partidários. O reconhecimento internacional de Krasznahorkai é visto por alguns como uma prova de vitalidade da língua húngara, diante de pressões políticas.

Perspectivas futuras

Especialistas apontam que o cenário cultural continuará sob escrutínio, com a manutenção de tensões entre políticas públicas e autonomia criativa. Observadores ressaltam a importância de preservar espaços independentes para a literatura como expressão de pluralidade.

Em Gyula, a celebração do Nobel ganhou contornos locais, com ações oficiais para homenagear o escritor e incentivar roteiros culturais que conectem a cidade ao cenário literário global. A expectativa é de continuidade de debates sobre cultura, liberdade de expressão e identidade nacional.

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