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Mulheres vulneráveis na Inglaterra ainda presas por suspeitas de aborto ilegal

Dados de FOI mostram prisões ou investigações de mulheres vulneráveis por abortos supostos ilegais na Inglaterra entre junho do ano passado e janeiro, mesmo após voto por decriminalização

Last June, MPs voted in favour of a change that will means women procuring a termination outside the legal framework cannot be prosecuted in England and Wales.
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  • Polícias de Nottinghamshire e da Metropolitan prenderam mulheres suspeitas de interrupção de gravidez fora do marco legal entre junho do ano passado e janeiro deste ano, mesmo após MPs terem votado pela descriminalização.
  • Organizações de saúde afirmam que há casos que não aparecem nos dados oficiais, com forças dizendo que não registraram prisões ou recusaram a solicitação de informações.
  • Em um dos casos, uma mulher miscarriu aos 17 semanas após internação; tablets foram encontrados na vagina e a polícia fez buscas na casa.
  • Em outro episódio, uma mulher na faixa dos quarenta foi detida perto do Natal; ela entregou um feto estimado em cerca de 24 semanas e houve preocupação com salvaguardas e violência doméstica.
  • A descriminalização do aborto em Inglaterra e no País de Gales foi aprovada pela Câmara dos Comuns, mas ainda depende de aprovação final; debate na Câmara dos Lordes está marcado, com pedidos para rever investigações e possíveis perdões.

Vulneráveis mulheres na Inglaterra continuam a ser presas e investigadas por suspeitas de terminação de gravidez fora do marco legal, mesmo com o Parlamento apoiando mudanças para descriminalizar o aborto. Dados obtidos por meio de pedido de informação mostram prisões entre junho do ano passado e janeiro deste ano. Nottinghamshire Police e Metropolitan Police confirmaram as detenções.

Segundo as autoridades, houve casos em que mulheres foram detidas após buscar atendimento médico, com verificações feitas na unidade hospitalar e em suas residências. Em algumas situações, as forças policiais afirmaram não ter registro de detenções sob a legislação relevante.

Casos divulgados pela imprensa denunciam situações de mulheres que enfrentaram prisões em contextos de gravidez e complicações de saúde. Em um episódio, uma mulher, ainda no hospital, foi presa e teve dispositivos médicos apreendidos após exame que identificou a presença de comprimidos na vagina. Ela negou ter buscado um aborto.

Outro caso envolve uma mulher na casa dos 40 anos, que chegou a perder a gravidez em estágio adiantado perto do Natal. Profissionais relataram resposta de pânico e histórico de violência doméstica, com os filhos presentes durante a ação policial e a casa sendo vasculhada. Organizações de defesa criticaram essas abordagens.

A emenda ao projeto de lei de crime e polícia, apresentada pela parlamentária Tonia Antoniazzi, foi aprovada na Câmara com 379 votos a favor e 137 contra, sinalizando apoio à descriminalização. Mesmo assim, a lei ainda tramita e não entrou em vigor.

Reação e cenário legislativo

Especialistas destacam que o marco atual mantém regras sobre assinatura de dois médicos e prazos para aborto, além de permitir que médicos atuem além da lei sujeitando-se a acusações. Profissionais da área ressaltam a necessidade de procedimentos sensíveis diante de traumas.

Defensoras dos direitos reprodutivos afirmam que o Parlamento sinalizou a descriminalização, mas questionam a atuação policial e do Ministério Público em casos de complicações. Representantes de organizações de saúde destacam que a resposta policial pode causar danos adicionais às mulheres.

Autoridades esclarecem que investigações não se iniciam de forma rotineira; surgem apenas quando há informações suficientes para indicar atividade criminosa. O contexto enfatiza a necessidade de equilíbrio entre proteção às pacientes e deveres de investigação.

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