- A Fiscalía de Ucrânia elevou a mais de 216.000 o número de possíveis crimes de guerra identificados, com 253.000 vítimas registradas até fevereiro.
- O sistema enfrenta falta de pessoal e recursos: oito agentes lidam com cerca de 3.000 casos.
- Até setembro de 2025, havia 446 casos levados aos tribunais e 156 com sentença, menos de mil dos casos totais já identificados.
- Do total de suspeitos, 1.127 foram identificados, 809 são acusados e 242 condenados; muitos processos ocorrem na ausência.
- Quase não há acesso a provas, que muitas vezes ficam na linha de frente ou em áreas ocupadas, e há pedidos por mais pessoas, equipamento técnico e condições de trabalho para avançar as investigações.
Oito policiais lidam com mais de 216.000 casos de possíveis crimes de guerra na Ucrânia, segundo a Fiscalía. As investigações ocorrem em meio a uma invasão em curso e a carência de recursos técnicos e humanos. O cenário é marcado por montanhas de expedientes em Kiev.
Cajas de papel ocupam o chão de um prédio degradado na capital. Entre os papéis, três investigadores — Artur, Dmytro e Alla — trabalham para esclarecer centenas de casos, apesar de apontarem que há 3.000 processos por apenas oito agentes.
A avaliação é de que o volume de casos supera a capacidade institucional. Foram identificadas 253.000 vítimas, e o total de casos chega a mais de 216.000, conforme dados de fevereiro. A organização Truth Hounds colabora com as apurações.
Desafios operacionais
Segundo especialistas, a falta de pessoal impede a conclusão de processos. A taxa de surgimento de novas provas é acompanhada por dificuldades logísticas, como veículos, espaços para periciais e proteção, além do acesso às evidências em zonas de combate.
Só em setembro de 2025, haviam chegado aos tribunais 446 casos de 185.000 estimados, e 156 sentenças hadn sido proferidas. O estudo da União Ucraniana de Direitos Humanos de Helsinki aponta que menos de 1% dos casos recebe sentença.
A maioria das investigações ocorre sem a presença dos suspeitos, o que complica o andamento processual. Especialistas ressaltam que as dificuldades estruturais dificultam o cumprimento das normas processuais.
Contexto internacional e impactos
A investigação também envolve casos de deportação de menores, tortura, violência sexual e desaparecimentos. A ONU classificou a deportação de crianças como crime contra a humanidade, com dezenas de milhares de casos ainda não restituídos.
O Tribunal Penal Internacional emitiu ordens de detenção contra autoridades russas, incluindo o presidente Vladimir Putin. Moscou não reconhece o TPI, o que limita cooperações internacionais para prisões.
Entre os pontos de maior dificuldade estão casos envolvendo soldados russos ausentes ou cuja captura depende de acesso a regiões sob ocupação. Pesquisadores destacam que a maior parte dos processos ocorre na ausência de suspeitos.
Perspectivas e apelos
As autoridades ucranianas pedem melhoria de recursos e transformação estrutural do sistema policial para abarcar o conjunto de vítimas, superando o desafio de uma contenda em larga escala. O objetivo é ampliar a capacidade de investigação e assegurar justiça para as vítimas.
Os investigadores enfatizam a necessidade de mais pessoas, tecnologia e acesso contínuo a evidências. Mesmo com a pressão, mantêm o compromisso de avançar com as apurações em meio ao conflito.
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