- Clare Dupree, 48 anos, com doença mental, morreu após usar um vape para iniciar incêndio na cela da prisão Eastwood Park, em Gloucestershire, logo após o Natal de 2022.
- O inquérito concluiu que houve oportunidades perdidas para evitar a morte e que a falta de detecção automática de incêndio na cela atrasou a identificação do fogo.
- O júri também apontou que diagnóstico incorreto de transtorno de personalidade emocionalmente instável contribuiu para a prisão de Dupree.
- O tempo para resgatar Dupree da cela foi de 33 minutos, acima do previsto pela regulamentação, que exige remoção em até 20 minutos após a detecção do incêndio.
- O corone deverão apresentar um relatório de prevenção de futuras mortes ao Ministério da Justiça, destacando a ausência de detectores automáticos em Eastwood Park e em outras prisões.
Clare Dupree, 48 anos, morreu após iniciar um incêndio em sua cela com um cigarro eletrônico no presídio HMP Eastwood Park, em Gloucestershire, pouco depois do Natal de 2022. Um inquérito concluído pelo tribunal de Avon aponta “oportunidades perdidas” que poderiam ter evitado o falecimento pela inalação prolongada de fumaça.
O júri verificou que a ausência de detecção automática de fogo na cela atrasou a identificação do incêndio. Além disso, foi considerado que um diagnóstico incorreto de transtorno de personalidade emocionalmente instável contribuiu para a prisão de Dupree, no que foi considerado um erro de avaliação clínica.
Dupree era da cidade de Cardiff e já havia passado por períodos de instabilidade mental. Durante a vida, sofreu traumas, abusos e problemas de saúde mental que se agravaram com o tempo, levando à internação e, posteriormente, à detenção.
Segundo o inquérito, o fogo só foi detectado tarde porque o sistema de detecção instalado na cela era inadequado, com apenas um detector doméstico localizado fora da cela. Testemunhas disseram ter ouvido Dupree gritar que estava pegando fogo.
Ao longo do inquérito, ficou claro que houve atraso na resposta de funcionários da prisão. Mesmo após a detecção, a remoção da detenta da cela demorou mais de 20 minutos, tempo previsto pelas normas, e só houve intervenção efetiva com o acionamento do corpo de bombeiros.
O inquérito também apontou que a detenção de Dupree ocorreu em um contexto de diagnóstico clínico inadequado. Um perito convidado destacou que, se a doença mental tivesse sido tratada de forma correta, o comportamento de risco poderia ter sido reduzido, potencialmente evitando a prisão.
A família de Dupree descreveu a vítima como alguém amorosa, generosa e divertida, que lutava contra traumas do passado e por instabilidade mental. Responsáveis pela defesa da família informaram à imprensa que o caso evidencia falhas estruturais no sistema prisional.
Em novembro de 2018, Dupree foi devolvida ao Eastwood Park, onde ocorreu o incidente de fim de ano. Logo após o ocorrido, a família recebeu a notícia dolorosa do falecimento, em 28 de dezembro, de Dupree, causada por lesões que combinaram hipoxia, infecções respiratórias e falência de órgãos.
O inquérito discutiu ainda se a instalação de detectores automáticos de fogo na cela poderia ter salvado Dupree. Um inspetor de incêndio afirmou que a medida poderia ter evitado ou reduzido o tempo de resposta, dependendo das ações de alerta.
Como desfecho, o coroner afirmou que apresentará um relatório de prevenção de mortes futuras ao Ministério da Justiça, destacando a ausência de detectores automáticos em Eastwood Park e em outras prisões, como ponto crítico de ação.
A instituição prisional respondeu que trabalha para reduzir riscos e mantém o respeito às famílias das vítimas. O serviço de bem-estar penitenciário e as autoridades de saúde também se posicionaram, reiterando o compromisso com melhorias na segurança dos estabelecimentos.
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