- O fundador Chen Zhi, de 38 anos, foi preso no Camboja em janeiro; os EUA acusam o Prince Group de operar redes de golpes transnacionais em Sihanoukville entre 2015 e 2025.
- O cassino Jin Bei, em Sihanoukville, ligado ao Prince Group, foi fechado/renovado, evidenciando o auge e a queda do conglomerado e o escrutínio internacional.
- Chen Zhi tornou-se cidadão cambojano em 2014 e passou a ter laços com o governo, atuando como assessor de Hun Sen e de Hun Manet; recebeu o título Neak Oknha, concedido por doação ao Estado.
- Autoridades de diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Cingapura e Taiwan, apreenderam ativos ligados ao Prince Group; foram confiscados bilhões em criptoativos e outros bens.
- O governo cambojano diz atuar para erradicar centros de golpes, mas críticos questionam a efetividade da ofensiva e a possível relação entre autoridades e a organização criminosa, com milhares de trabalhadores deixando os compounds.
O grupo Prince Group, liderado por Chen Zhi, é alvo de uma investigação que questiona a ligação entre esquemas de golpes em larga escala e figuras políticas, além da integridade da operação de combate a centros de golpes no Camboja. Chen foi preso na Cambodja em janeiro e entregue à China neste mês, em meio a pressões internacionais.
A fachada do antigo casino Jin Bei, em Sihanoukville, já foi iluminada por luzes fortes e exibia cartas de baralho. Hoje, o local está lacrado com tapumes e uma placa chinesa indica reforma. O casino era associado a atividades de golpes comandadas pelo Prince Group, segundo acusações de autoridades norte-americanas.
Chen Zhi, de 38 anos, construiu um conglomerado de grande peso no Camboja desde 2015, investindo pesadamente em imóveis e projetos de luxo na cidade costeira. O grupo estaria por trás de uma rede de operações ilegais entre 2015 e 2025, ocultas por negócios legítimos.
Em 2020, Chen recebeu cidadania cambojana e foi nomeado assessor de Hun Sen, além de receber o título de Neak Oknha, concedido a quem contribui com recursos ao governo. A ascensão ocorreu num momento em que o país buscava atrair investimentos, incluindo um eco-projeto interestadual.
As sanções internacionais, impostas em outubro, atingiram Chen e o Prince Group, com capturas de ativos e bilhões em bitcoins bloqueados. Países como Reino Unido, Cingapura e Taiwan também anunciaram congelamentos ligados ao conglomerado.
O Camboja afirma ter intensificado a repressão a centros de golpes, prometendo eliminar a prática até abril. Desde julho de 2025, autoridades fecharam cerca de 200 locais, segundo o governo, que não detalhou a lista completa de endereços ou o estado atual dos locais.
Especialistas destacam que o setor de golpes cresceu significativamente na região, estimando que hoje responde por uma parcela expressiva do PIB formal de alguns países. A atuação de autoridades cambojanas tem sido alvo de questionamentos sobre independência e capacidade de fiscalização.
Reportagens indicam relatos de falta de presença policial em muitos centros quando eram esvaziados. Caminhões com trabalhadores eram orientados a sair sem a devida intervenção das forças de segurança, segundo testemunhas citadas pela imprensa internacional.
Além de Chen, não houve prisão de outros executivos de alto escalão do Prince Group, e não houve divulgação de investigações formais sobre autoridades do governo envolvidas. O governo cambojano informou apenas que prendeu 173 figuras criminosas e deportou 11.000 trabalhadores desde meados de 2025.
O caso evidencia tensões entre o esforço de combate a crimes transnacionais e as relações entre negócios, cidadania e políticas públicas no Camboja. Enquanto Chen permanece sob custódia internacional, o país continua lidando com o legado de investimentos chineses e com a pressão externa por ações eficazes contra golpes online.
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