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PF aponta tentativa de censura de Vorcaro a notícias sobre o Master

PF aponta que Vorcaro buscava censurar notícias contra o Master; grupo ligado planejava intimidação e uso de documentos falsos para remover conteúdos

O banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. (Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons)
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  • A PF aponta que Vorcaro pressionava censurar matérias desfavoráveis ao Banco Master, incluindo buscar a remoção de conteúdos e suspensão de perfis.
  • Felipe Mourão simulava solicitações oficiais para solicitar remoção de conteúdos ou suspensão de usuários em plataformas digitais, em favor de Vorcaro.
  • A atuação ocorre em meio a casos de censura após os atos de 8 de janeiro de 2023 e da interpretação do STF, TSE e AGU sobre remoção de conteúdos considerados nocivos.
  • O grupo ligado a Vorcaro, conhecido como “A Turma”, monitorava adversários, planejava ações de intimidação e recebia cerca de R$ 1 milhão por mês, incluindo discussões de agressão a jornalistas.
  • A PF também aponta uso de vigilância digital e acesso indevido a bases de dados; a defesa de Vorcaro nega as acusações e afirma cooperação com as investigações.

A investigação da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro aponta que um de seus focos era censurar reportagens desfavoráveis ao Banco Master. A ordem de prisão envolve o empresário e revela ações para frear conteúdos críticos, por meio de supostos expedientes oficiais simulados. A PF detalha ainda a participação de um interlocutor próximo no esquema.

Segundo o documento assinado pelo ministro André Mendonça, havia uma articulação para intimidar jornalistas e forjar documentos para requerer remoção de conteúdos em plataformas digitais. O objetivo era alinhar a presença online às preferências do grupo de Vorcaro, sem validação formal de órgãos públicos.

A pressão por censura ganhou contornos após atos recentes envolvendo o STF e cortes superiores. A investigação ressalta que esse conjunto de medidas passou a ser utilizado para justificar remoções sob o argumento de proteção institucional, ainda que sem base legal consolidada.

A atuação do núcleo investigado ficou registrado em mensagens e em relatórios que apontam a prática de exigir a retirada de conteúdos considerados prejudiciais ao interesse do banco. Parte dessas ações teria sido articulada com base em diretrizes de autoridades, segundo o Poder Judiciário.

Movimento de censura e relação com a imprensa

Relatórios da PF indicam que um assessor próximo, identificado nos autos, participou de tentativas de influenciar a pauta midiática, inclusive buscando parcerias para evitar publicações críticas sobre o Master. Em outubro de 2024, mensagens indicaram discussões sobre incluir sites de notícia em investigações em curso.

Em conversas privadas, Vorcaro expressou a ideia de pressionar veículos por meio de suporte institucional ou de ações diretas, com a intenção de moldar a cobertura jornalística sobre o banco. Em tom utilizado nas mensagens, há menções a ações em que se cogitava utilizar recursos para decorar a narrativa pública.

A polícia aponta que o grupo conhecido como Turma, liderado por Vorcaro, operava um sistema de vigilância e intimidação para proteger interesses do conglomerado. O conjunto era descrito como estruturado, com divisão de tarefas e suposta remuneração mensal para financiá-lo.

Repercussões e posição das partes

A Operação Compliance Zero também envolve ações para neutralizar críticas de autoridades e de influenciadores que atuam contra o grupo. A PF aponta indícios de acesso indevido a bases de dados públicas, o que permitiria monitorar investigações e movimentos de órgãos reguladores.

O Globo destacou relatos de ameaças a jornalistas e reiterou a defesa de que as atitudes reveladas não representam a atuação do veículo. A assessoria de Vorcaro posteriormente afirmou que as mensagens foram tiradas de contexto e que ele colaborava com as autoridades, mantendo relação institucional com veículos de comunicação.

A defesa do empresário nega as acusações e afirma que Vorcaro continua colaborando com as investigações. O caso segue em apuração no Supremo Tribunal Federal, em linha com a busca por esclarecer fatos complexos envolvendo censura e atuação de grupos privados.

Contexto institucional e próximos passos

A PF classifica a atuação como risco à ordem pública e à segurança institucional, destacando que o núcleo investigado operava com vigilância presencial e estratégias digitais para influenciar a narrativa pública. A Polícia Federal reforça a necessidade de apurar os fatos com rigor e transparência.

O DCM afirmou não ter recebido recursos ou benefícios associados aos investigados e – assim como o jornal O Globo – negou vínculos com as alegações. O andamento do inquérito permanece em curso, com decisões a serem tomadas pelas autoridades competentes.

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