- A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de abril, mostrou o alinhamento do ministro André Mendonça com a Polícia Federal e isolamento da PGR na condução do caso Master.
- Mendonça autorizou nova prisão de Daniel Vorcaro e de outros investigados, atendendo aos pedidos da PF sem objeções aos rumos da apuração.
- A decisão ocorreu mesmo com críticas duras à PGR, que não se posicionou favoravelmente sobre as diligências.
- As diligências incluem suspeitas de ameaças de violência de Vorcaro contra ex-funcionários e até um jornalista, monitoramento de autoridades e obtenção ilegal de informações sigilosas.
- Evidências captadas pela PF indicam que Vorcaro tinha uma milícia privada chamada “A Turma”, recebendo apoio financeiro mensal, enquanto a PF aponta riscos à segurança de pessoas e à recuperação de ativos desviados.
A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quarta-feira (4) e revelou um alinhamento entre o ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no STF, e a Polícia Federal (PF). Ao determinar a nova prisão de Daniel Vorcaro e de outros investigados, Mendonça atendeu aos pedidos da PF sem objeções, enquanto criticou a atuação da PGR por não ter se posicionado favoravelmente às diligências.
A PF apontou urgência nas medidas restritivas diante de ameaças de violência de Vorcaro a ex-funcionários e a jornalistas, além de monitoramento de autoridades e obtenção de informações sigilosas. A decisão ocorreu após o desdobramento de diálogos captados pela PF envolvendo Vieira Mourão, apontado como executor de ações contra inimigos do grupo.
A atuação de Mendonça contrasta com o estágio anterior, quando a supervisão era feita por Dias Toffoli, que deixou a relatoria sob críticas da PF e após revelar relações com Vorcaro. O ministro destacou a gravidade das provas e a necessidade de impedir condutas que possam comprometer investigações ou a integridade de pessoas.
Contexto e fundamentação
Mensagens indicaram que Mourão recebia remuneração mensal para executar ações contra imprensa e ex-funcionários, configurando uma milícia privada conhecida como A Turma, que também incluía um escrivão da PF. O ministro ressaltou o risco de novas agressões caso não fossem adotadas medidas urgentes.
A investigação aponta que atividades ilícitas atingiram autoridades e órgãos como o Ministério Público, a PF, a Interpol e o FBI. Mendonça citou a possibilidade de acesso indevido a sistemas sigilosos e a necessidade de proteger a integridade de cidadãos e autoridades públicas.
A PF também pediu medidas adicionais, incluindo afastamento de dois servidores do Banco Central suspeitos de corrupção e a suspensão de cinco empresas ligadas ao grupo de Vorcaro. A decisão de Mendonça confirmou prisões, diante de indícios robustos para a instrução criminal e a garantia da ordem pública.
Desdobramentos e próximos passos
Um dos investigados, Mourão, foi detido com uma arma illegal após ações anteriores. O caso envolve bloqueios financeiros significativos, como os listados na segunda fase da operação, que somaram bilhões de reais vinculados a uma conta ligada ao pai de Vorcaro.
O andamento da investigação envolve diversos atores e estruturas, com a PF preservando o curso das diligências e a PGR avaliando as medidas. A defesa de Vorcaro e dos demais investigados permanece sob análise conforme o andamento processual.
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