- A PF divulgou relatório finalizado em janeiro indicando que o juiz Macário se encontrou com o ex‑presidente Temer em São Paulo no dia dez de dezembro para fazer um pedido.
- O documento aponta possível vazamento de dados de uma operação da PF para Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj.
- Segundo a investigação, o deslocamento incluiu saída do Santos Dumont e pouso em Guarulhos, com reconstituição feita a partir de mensagens, imagens de circuito de segurança e outros dados.
- Em mensagem à esposa, Macário descreveu a conversa com Temer como “muito boa” e afirmou que o ex‑presidente o orientou a não falar com Moraes.
- Macário foi preso seis dias após o encontro, na segunda fase da operação Unha e Carne; Temer afirmou, ao ser procurado, que não houve irregularidades.
O relatório final da Polícia Federal revela que o juiz Macário manteve encontro com o ex-presidente Michel Temer na manhã do dia 10 de dezembro, em São Paulo. O objetivo, segundo a PF, foi fazer um pedido relacionado ao caso em apuração.
Ainda de acordo com a PF, o encontro ocorreu após o juiz deixar o aeroporto de Santos Dumont, no Rio, e seguir para Guarulhos, em meio a más condições climáticas que provocaram a troca de rota de aterrissagem de Congonhas. As investigações cruzaram mensagens, imagens de câmeras de segurança e outros dados.
Segundo o relatório, a conversa entre Macário e Temer durou quase uma hora e houve indicativo de que o ex-presidente pediu que o juiz não entrasse em contato com Moraes. Macário descreveu o diálogo como muito bom e mencionou orientação recebida.
A PF aponta que Temer afirmou que a mensagem enviada por Macário poderia chamar a atenção de Moraes. Na esteira, o juiz relatou ter avaliado a possibilidade de deixar de contatar Moraes conforme combinado anteriormente.
Macário foi preso seis dias após o encontro, na sexta fase da operação Unha e Carne, que já havia prendido Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj, em 3 de dezembro. A defesa do juiz afirmou que Moraes foi induzido a erro pela medida extrema.
O advogado de Macário não comentou o caso quando procurado. Em nota anterior, Temer negou irregularidades, afirmando receber magistrados de todo o país e que acreditava que Macário buscaria apoio para uma possível candidatura ao STJ.
Relembre o caso
Júdice Neto era o relator do processo envolvendo TH Joias, ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, preso em setembro. A denúncia cita tráfico de drogas, associação ao Comando Vermelho e uso do mandato para beneficiar a facção.
A PF suspeita que o magistrado tenha vazado informações sobre a operação a Bacellar, que, por sua vez, teria alertado TH Joias. Bacellar foi preso em dezembro, liberado dias depois por decisão de parlamentares da Alerj, mas afastado do cargo pela Justiça.
Em dezembro, Macário Neto também foi preso, vinculando o desdobramento a investigações da segunda fase da operação Unha e Carne. A tramitação envolve a atuação de magistrados do Judiciário estadual e federal na região.
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