- Quatro suspeitos foram presos, em Nápoles, por suposto esquema da Camorra para infiltrar-se no hospital San Giovanni Bosco e realizar fraudes lucrativas, incluindo acidentes de carro simulados para seguros.
- A investigação começou com o depoimento de uma testemunha protegida e aponta que o clã Contini teria tomado o controle de serviços de cafeteira, lanchonetes e máquinas de venda no hospital.
- Segundo os promotores, o grupo contou com envolvimento de médicos e profissionais forenses, além de seguranças privados, para facilitar as fraudes ligadas ao setor de ambulâncias.
- Entre as irregularidades, estaria a emissão de certificados médicos falsos e a produção de relatórios especializados sabidamente forjados para obter pagamentos de indenizações, bem como liberação de prisões com avaliações psiquiátricas falsas.
- Um hospitalar é acusado de falsificar atestados de alta de paciente já falecido, para transportar o corpo em ambulância particular ligado ao clã, cobrando entre setecentos e 1,2 mil euros de famílias.
A polícia italiana prendeu quatro suspeitos nesta quarta-feira em Naples, no contexto de uma operação contra a Camorra. Segundo as autoridades, o grupo infiltrou-se no hospital San Giovanni Bosco para promover fraudes de seguro, além de movimentar corpos de maneira irregular com ambulâncias privadas.
A investigação, apoiada pelo depoimento de uma testemunha protegida, aponta que o clã Contini controlava o serviço de cafeterias, máquinas de venda e itens de lanches no hospital. Há ainda a alegação de que médicos, paramédicos e segurança particular teriam colaborado para facilitar as atividades criminosas.
Os investigadores afirmam que o esquema envolvia fraudes de seguro, com simulação de acidentes de trânsito, recrutamento de testemunhas pagas e produção de laudos falsos para obtenção de indenizações. Ameaças e intimidação teriam assegurado cooperação de funcionários e fornecedores com o grupo.
Envolvidos e prática de transportes irregulares
Entre os investigados está um médico que, segundo a linha de apuração, falsificou papéis de alta hospitalar para permitir que corpos fossem transportados para casa em ambulâncias privadas vinculadas ao clã. Em paralelo, a gestão de ambulâncias é descrita como operando sob uma lógica criminosa, com remoções de pacientes falecidos para burlar a vigilância dos necrotérios.
Procuradores afirmam que famílias pagavam entre 700 e 1.200 euros pelo serviço, que incluía transporte de cadáveres disfarçado como obtenção de alta médica. Também há atuação de uma psiquiatra do serviço público sob investigação, acusada de emitir certificados médicos falsos.
A apuração aponta ainda que um advogado, considerado envolvido com o esquema, atuava como ponte entre o ambiente carcerário e o mundo externo, facilitando pagamentos mensais às famílias de detidos. A investigação ressalta o uso da violência para manter a rede.
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