- Eyad Shadid, palestino australiano de 25 anos, é um dos doze manifestantes acusados após o protesto contra o presidente israelense em Sydney.
- A fiança dele foi variada para permitir entrada apenas para trabalho ou comparecimento ao tribunal; a magistrada considerou a proibição de entrar na área da cidade de Sydney desproporcional.
- O advogado Nick Hanna alegou dúvida real sobre se houve uma ordem policial lawful move-on durante o ato e disse que Shadid não obstruiu calçadas ou vias públicas no momento.
- A promotoria argumentou que a mudança enfraqueceria a aplicação da lei, enquanto a defesa destacou que as condições de fiança não devem servir como punição por conduta legal.
- Outros manifestantes também enfrentam restrições semelhantes; houve apelos por desculpas oficiais e críticas ao manejo policial durante o evento.
Eyad Shadid, palestino australiano, teve as condições de fiança alteradas após a Justiça considerar disproportionada a proibição de entrar na área da Cidade de Sydney para quem está em liberdade condicional. Ele é um dos 12 manifestantes acusados de não cumprir ordens de polícia durante o protesto contra o presidente de Israel, Isaac Herzog, em Sydney.
O confronto ocorreu na semana passada, quando a polícia dispersou o ato que reuniu apoiadores do presidente israelense. Shadid foi detido próximo a um local de orações muçulmanas e as acusações incluíram não respeitar a direção policial e resistir ou dificultar o trabalho de oficiais.
Na audiência no Downing Centre Local Court, o advogado Nick Hanna contestou a restrição de não entrar na prefeitura da City of Sydney, alegando que a medida era desnecessária e inadequada. O promotor argumentou que a regra manteria a ordem pública.
A magistrada Bree Chisholm entendeu que a proibição não era proporcional, levando em conta que Shadid já está proibido de cometer novos delitos e manter o comportamento adequado. A decisão mantém a fiscalização sobre possível conduta futura sem restringir desnecessariamente direitos.
Entre outros manifestantes, há quem tenha restrições adicionais, como banimento de participação em qualquer ato público ou limite de horários de circulação. O conjunto de medidas foi aplicado a quem participou do protesto vinculado ao evento.
Majed Kheir, advogado de vários réus, afirmou que as políticas de fiança pareceram excessivas, atingindo condutas legais sem relação clara com potenciais delitos. Ele destacou preocupações sobre o uso de medidas punitivas em nome da fiança.
Samantha Lee, do Redfern Legal Centre, enfatizou que as condições de fiança devem assegurar o retorno ao tribunal sem restringir manifestações legais de forma desproporcional. O objetivo é evitar interferência indevida na participação cívica.
Repercussões e resposta oficial
O comissário de polícia de NSW, Mal Lanyon, reconheceu um pedido de desculpas após críticas da Australian National Imams Council sobre a remoção de fiéis no gabinete municipal. O premier Chris Minns afirmou que não vai se desculpar, reafirmando o tom de diálogo com líderes da comunidade muçulmana.
Jihad Dib, único deputado muçulmano no gabinete estadual, disse ter informado autoridades sobre preocupações da comunidade. Ele também reconheceu falhas de comunicação, mas ressaltou que não houve ataque à polícia, apenas diferenças de condução do protesto.
Desde o ato, movimentos partidários ligados à comunidade têm adotado resoluções que criticam os condutores da manifestação e algumas leis de protesto. O tema permanece sob debate público na imprensa local.
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