- Na primeira sessão de julgamento sobre a extradição de Carla Zambelli, em Roma, houve discussão entre o advogado Pieremilio Sammarco e o promotor Erminio Amelio sobre a cidadania italiana da ex-deputada.
- O promotor afirmou que a cidadania italiana de Zambelli é “apenas uma fachada”; o advogado rebateu que, formalmente, ela é italiana, mas, na prática, não é.
- A defesa afirma que a promotoria busca retirar o direito de cidadania de Zambelli e de seus filhos para viabilizar a extradição; a corte tem precedentes que não autorizam cidadania para crimes políticos.
- A defesa tenta admitir o perito Eduardo Tagliaferro como testemunha, para atestar que a ex-parlamentar sofre perseguição política no Brasil; a corte ainda decidirá sobre a necessidade do depoimento.
- Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por pagar hacker ligado à invasão do Conselho Nacional de Justiça, com um mandado de prisão falso assinado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na primeira sessão de julgamento da extradição da ex-deputada Carla Zambelli, na Corte de Apelação de Roma, nesta quarta-feira (11), houve bate-boca entre o advogado Pieremilio Sammarco e o promotor Erminio Amelio sobre a cidadania italiana da ex-parlamentar. A audiência ocorreu no contexto do processo de extradição.
O debate girou em torno da cidadania italiana de Zambelli, cuja origem do sobrenome favoreceu o status de cidadã por jus sanguinis. O tema é discutido na Itália, que coordena a concessão de cidadania a descendentes com maior cautela.
A defesa sustenta que a promotoria tenta retirar o direito de cidadania de Zambelli e de seus filhos para viabilizar a extradição. A Corte já tem precedentes que não autorizam extradição em crimes de natureza política, porém não impedem em crimes comuns. Resta provar o caráter político do caso.
Testemunha Tagliaferro
O perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor especial de enfrentamento à desinformação do TSE, não foi admitido como testemunha neste momento. A defesa espera que, se a Corte considerar útil, ele possa depor no futuro para sustentar a alegação de perseguição política no Brasil.
A sessão de terça-feira (10) tratou de um pedido de troca de juízes. Zambelli afirmou ter respeito pelos magistrados, mas afirmou estar insegura diante de suposta parcialidade em julgamentos no Brasil. Os trabalhos devem seguir com novas alegações da defesa, seguidas pela AGU no caso, representada por Gentiloni Silveri, e, em seguida, os juízes irão deliberar.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pelo STF, sob acusação de pagar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir sistemas do CNJ. A invasão resultou em um mandado de prisão falso com assinatura de Moraes, no papel de réu a ser preso.
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