- O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, foi denunciado pelo Ministério Público por agressão, sufocamento e rapto da ex-namorada, com a vítima apresentando hematomas.
- Segundo o MP, houve perseguição, humilhação para que a vítima pudesse voltar para casa e até uma interceptação do carro da mulher pela frente da moto em que ela estava com a irmã.
- O caso ocorreu em março do ano passado; Jair Júnior foi preso em flagrante, libertado no dia seguinte após pagamento de fiança, e o processo tramita em segredo de Justiça.
- A denúncia envolve quatro crimes: cárcere privado, lesão corporal, invasão de dispositivo informático (celular) e ameaça; houve também tentativa de impeachment, que foi cancelado pela Justiça.
- O MP relata comportamento violento recorrente, incluindo episódios na posse do vice-prefeito, vigilância da ex e uso de contas oficiais para monitorá-la; a vítima recebeu medidas protetivas e aguardam-se depoimentos da Justiça.
O vice-prefeito de Lages (SC), Jair Júnior (Podemos), é alvo de denúncia por agressão, cárcere privado e outros crimes relacionados a violência doméstica. Segundo o Ministério Público (MP), a vítima relatou ter sido agredida, sufocada e mantida contra a vontade em diferentes ocasiões, incluindo um episódio em que teria sido obrigada a dizer que o amava.
De acordo com o MP, a vítima deixou a residência do agressor após sofrer violência e procurou a delegacia. Ele teria seguido o carro da ex-namorada e de sua irmã, chegando a atravessar a frente do veículo. O UOL omitiu o nome da mulher para proteger a identidade.
A defesa de Jair Júnior informou que não comentaria o caso enquanto durar o segredo de Justiça e enquanto a produção de provas estiver pendente. O advogado Guilherme Ramos não confirmou se a defesa pretende alegar inocência.
A vítima e a irmã registraram boletim de ocorrência. Enquanto a vítima denunciava as agressões, o vice-prefeito circulou pelas proximidades da delegacia. Jair Júnior foi preso em flagrante em 22 de março do ano anterior e liberado no dia seguinte mediante fiança.
A investigação, com acesso ao material do MP, aponta comportamento violento reiterado. O documento também descreve hematomas na vítima. O conteúdo já havia sido divulgado pelo Upiara.net e teve parte reproduzida pelo UOL.
A prisão levou à abertura de um processo de impeachment, posteriormente cancelado pela Justiça de Santa Catarina. A decisão considerou que a Câmara de Vereadores utilizou uma lei aplicável somente a prefeitos.
Ainda tramita uma ação penal em sigilo de Justiça, na qual Jair Júnior é acusado de quatro crimes: cárcere privado, lesão corporal, invasão de dispositivo informático (celular) e ameaça.
Contexto e violência doméstica
As informações sobre o caso foram obtidas por meio de outros procedimentos. Lages é administrada pela prefeita Carmen Zanotto (Cidadania), que rompeu com o então aliado. Em um capítulo relacionado, Jair Júnior teria furado o pneu do carro usado pela prefeita, registrando-se como dano ao patrimônio público.
Câmeras de segurança mostram o vice-prefeito entrando na prefeitura no feriadão de Páscoa do ano anterior, dirigindo-se ao veículo da prefeita e colocando um prego no pneu. O MP anexou esse episódio ao processo de violência doméstica para contextualizar o comportamento agressivo.
Sequência dos fatos e impactos
Relatórios do MP indicam que o namoro durou cerca de um ano e que, antes da prisão, já havia demonstrações de comportamento violento. O órgão sustenta que Jair Júnior agiu com violência na posse, em 1º de janeiro do ano anterior, supostamente por discordar de uma publicação da vítima sobre o casal.
O relacionamento terminou, mas as tentativas de contato permaneceram. O vice-prefeito teria monitorado a ex com a ajuda de amigos, usou perfis oficiais para espioná-la e, em diversas ocasiões, dificultou a vida da vítima com abordagens insistentes.
Relatos apontam ainda que Jair Júnior chegou a ameaçar terceiros ligados à ex. O agressor insistia na entrega de flores, mesmo quando a destinatária não queria recebê-las. Em certa ocasião, permaneceu na frente do prédio da vítima e ligou a campainha repetidamente, sem sucesso.
Situação processual atual
Na noite de 21 de março do ano anterior, a vítima aceitou conversar com o então parceiro. O MP descreve que, após a conversa, ele raptou a mulher, levou-a para casa e tornou o celular indisponível, exigindo desbloqueio. Mensagens incriminadoras teriam sido apagadas.
A vítima foi liberada por volta do meio-dia, após período de coerção para que dissesse que não iria testemunhar contra o ex. Medidas protetivas foram solicitadas pela vítima, que mudou de cidade e retornou a morar em Lages.
O Ministério Público exige condenação. Não hádata definida para a sentença. Testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas, e o processo segue tramitando na Justiça. Casos de violência devem ser denunciados pelo 190, 180 ou Disque 100.
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