- O governo de Giorgia Meloni prevê concentrar cerca de 750 presos sob o regime 41bis em poucas unidades na Itália; a Sardinia pode receber quase um terço, distribuídos entre Sassari, Cagliari e Nuoro.
- A governadora Alessandra Todde afirmou que a ilha não deve ser vista como Caín, repetindo o temor de revisitar a imagem de penalidade antiga.
- Localmente, há preocupações de que a presença de detentos de alta segurança facilite infiltração de clãs mafiosos, especialmente em áreas menos desenvolvidas como Nuoro.
- Autoridades destacam que o regime 41bis é um dos mais restritivos da Europa e que o deslocamento de presos pode exigir reforço de segurança e de recursos judiciais e prisionais.
- Líderes locais apontam riscos de criminalidade de natureza econômica e de serviços, como licitações, caso a imigração de famílias de detentos aumente na região.
Nuoro, cidade remota de Sardenha, abriga a prisão cercada por um vasto muro de pedra. O complexo já teve notoriedade por abrigar mafiosos e terroristas distantes do continente. Hoje, a ilha celebra turismo, não mais um refúgio de criminosos, mas mudanças no sistema penitenciário colocam isso em xeque.
Em dezembro, um subsecretário de Justiça informou que cerca de 750 presos sob o regime rígido 41bis seriam concentrados em poucas unidades pela Itália, com supervisão de guardas especiais para reforçar a segurança. A Sardenha recebeu a sinalização de abrigar quase um terço desses internos: Sassari, Cagliari e Nuoro.
Governadora Alessandra Todde rejeitou a ideia de a ilha virar a Cayenne italiana, citando o histórico penal de Devil’s Island e defendendo a preservação da imagem da região. Enquanto isso, moradores e autoridades temem que o deslocamento aumente a infiltração de facções na economia local, sobretudo em Nuoro.
Riscos de infiltração da máfia
A Lei 41bis impõe isolamento extremo a detentos, visando interromper operações externas. Magistrados destacam receios de que a presença de detidos ative investimentos que facilitem lavagem de dinheiro e entrada de clãs na hotelaria, turismo e restaurantes.
Lideranças locais apontam que Nuoro, com economia dependente de agricultura e pouco peso industrial, pode ser palco para estratégias de infiltração caso haja aumento de visitas de familiares ou de circulação de recursos. Uma renovação de instalações já ocorreria, segundo parlamentares, para acomodar novos internos.
Para autoridades, a medida também implica ampliar recursos de segurança e vigilância, caso haja maior fluxo de detentos na região. Representantes dizem que o deslocamento de membros de facções pode exigir maior atuação policial e judiciária na ilha.
Contexto local e impactos na saúde
A região enfrenta um sistema de saúde frágil e população envelhecida, com despesas de custódia já elevadas. Transferências para tratamento médico de detentos exigem escolta de dezenas de guardas, o que pode pressionar serviços hospitalares locais. Autoridades locais pedem planejamento para evitar sobrecarga no sistema público.
Líderes comunitários afirmam que a presença de mafiosos pode impactar não apenas a segurança, mas o comércio local e o turismo regional. Em meio a disputas políticas, a gestão do tema segue sob escrutínio de entidades judiciais, governamentais e da sociedade civil.
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