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Médico do NHS banido por circuncisão mal feita, ainda realizava a cirurgia

Médico afastado ainda oferece circuncisões como leigo; caso evidencia falha de salvaguarda e ausência de regulação, ampliando riscos a crianças

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Zuber Bux was struck off by the GMC after a toddler he had operated on in the community was taken to hospital ‘in a potentially life threatening situation’. Photograph: Ben Lack Photography
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  • Um médico foi suspenso do conselho profissional por uma circuncisão considerada “negligente” em um garotinho de 15 meses com condição cardíaca, em 2021, mas continua realizando a prática como leigo.
  • Não há exigência de formação médica para realizadores de circuncisão no Reino Unido, o que permite que Bux permaneça atuando legalmente como circuncisor particular.
  • O caso destaca falhas de proteção infantil, com campanha aberta por reguladores e sociedade civil sobre a ausência de regulamentação da circuncisão.
  • A decisão do tribunal médico apontou falhas graves, como não considerar a condição cardíaca do paciente, consentimento inadequado, dor insuficiente e uso excessivo de morfina líquida, classificando a sanção como necessária para proteger o público.
  • A prática de circuncisão por leigos tem sido alvo de debate público, com autoridades considerando potencial enquadramento da circuncisão como possível abuso infantil em orientações futuras.

Um médico britânico, removido do registro por uma circuncisão considerada arriscada e “reckless”, continua a realizar o procedimento como leigo. A revelação veio junto de dados obtidos pelo National Secular Society (NSS) via FOI, que mostram que Zuber Bux está entre três ex-médicos com a licença cassada entre 2012 e 2022 por queixas ligadas a circuncisões mal executadas.

Em 2021, o General Medical Council (GMC) confirmou má conduta grave em relação à circuncisão de um menino de 15 meses realizado por Bux em ambiente comunitário, apesar de uma condição cardíaca conhecida. O tratamento resultou em internação hospitalar com risco de vida para o menor, identificado apenas como Paciente A.

O GMC descreveu que o caso envolveu um menor vulnerável e que Bux adotou uma atitude cavalheiresca, levando a uma internação potencialmente fatal. A sanção foi a remoção do médico do registro profissional, considerada a medida proporcional para proteger o público e manter padrões da profissão.

Apesar da punição, Bux, 55 anos, mantém anúncios como “circumcision practitioner”, atividade permitida pela legislação atual, já que não há exigência de formação médica específica para quem realiza circuncisões. O serviço é oferecido em cidades do noroeste da Inglaterra, incluindo Blackburn, Preston, Bolton, Burnley, Accrington e Nelson, segundo o site dele.

O site afirma que Bux atua desde 2003 e já foi sócio sênior de uma clínica médica geral. Embora não esteja mais registrado pelo GMC, não há explicação pública sobre a saída. Em 2015, Mohammad Siddiqui também foi excluído pelo GMC após falhas em quatro circuncisões domiciliares; em 2022, ele foi condenado a mais de cinco anos de prisão por causar dor e sofrimento desnecessários em circuncisões realizadas entre 2014 e 2019.

No mês passado, o Guardian informou que o CPS avalia diretrizes para enquadrar circuncisão como possível abuso infantil, diante da falta de regulamentação da prática. Desde 2001, há registros de circuncisão associada à morte de sete crianças, incluindo casos de sangramento fatal.

O site de Bux oferece circuncisões por motivos religiosos ou cosméticos para bebês até seis meses, nas regiões citadas. A listagem afirma milhares de procedimentos realizados na prática comunitária e a absence de exigência de formação médica específica para quem realiza o ato.

Após a divulgação, Bux foi contatado para comentar. Representantes do NSS destacam que a circuncisão ritual, sem necessidade médica comprovada, representa risco para crianças e que decisões sobre circuncisão não terapêutica devem depender da capacidade de o indivíduo decidir ao atingir a maioridade.

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