- Rui-Siang Lin, fundador do marketplace de drogas na dark web Incognito Market, foi condenado a 30 anos de prisão federal nos Estados Unidos.
- A operação movimentou cerca de US$ 105 milhões em transações com criptomoedas entre 2020 e 2024, incluindo BTC e Monero, com mais de 400 mil compradores.
- O sistema de pagamento proprietário, chamado “Incognito Bank”, processava transações entre contas de compradores e vendedores, rendendo 5% de comissão por venda.
- O site encerrou as atividades em março de 2024 a partir de um exit scam, levando ao menos US$ 1 milhão em depósitos de usuários e expondo dados retidos da operação.
- Lin foi preso em junho de 2024 no aeroporto JFK e, em dezembro de 2024, confessou culpa por violar leis criminais contínuas, conspiração de narcóticos e lavagem de dinheiro; o tribunal ordenou a confisco de cerca de US$ 105 milhões.
Rui-Siang Lin, de 24 anos, fundador do marketplace de drogas no darknet Incognito Market, foi condenado a 30 anos de prisão federal por operar uma operação narcótica com criptomoedas que movimentou cerca de US$ 105 milhões. O caso envolve mais de 640 mil transações em criptomoedas e mais de 400 mil contas de compradores entre 2020 e 2024. O site encerrou suas atividades em março de 2024 após um exit scam.
Segundo a Justiça, Lin administrou a plataforma sob o alias “Pharoah”, de outubro de 2020 a março de 2024. O sistema usava a carteira cripto própria, o “Incognito Bank”, para processar transações em BTC e Monero. O tribunal indicou que mais de 1 mil kg de cocaína e metanfetamina foram vendidos, além de outras substâncias.
O juiz da Corte Federal no Distrito Sul de Nova York, Colleen McMahon, classificou o caso como o crime de droga mais grave enfrentado em 27 anos de atuação. Lin reconheceu culpa em dezembro de 2024 por organização criminosa contínua, narcóticos e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou a perda de aproximadamente US$ 105 milhões.
Detalhes operacionais do Incognito Bank
O Incognito Bank funcionava como carteira custodial, com depósitos de BTC ou Monero em contas no site. Transações eram processadas entre contas de compradores e vendedores, com cobrança de 5% de comissão. A Justiça informou que Lin ficou com mais de US$ 6 milhões em comissões.
Em março de 2024, Lin fechou o marketplace em um exit scam, levando ao menos US$ 1 milhão de depósitos de usuários. A dupla promessa de criptografia e deleção de mensagens nunca funcionou; dados dos usuários foram mantidos ao longo de toda a operação.
Investigações apontam que Bitcoins da carteira administrativa do Incognito foram vinculados à carteira pessoal de Lin, que converteu para Monero e moveu para uma exchange centralizada registrada em seu nome.
Prisão e resposta policial
Apesar da sofisticação, Lin cometeu falhas de segurança que expuseram sua identidade. Domínios foram registrados em seu nome, com número de telefone e endereço real. Um pagamento parcial de domínio com BTC vinculou a identidade ao wallet do administrador.
A prisão ocorreu no Aeroporto JFK, em 18 de maio de 2024, durante trânsito para Cingapura. A operação contou com apoio do FBI, Homeland Security Investigations, DEA, FDA, NYPD e CBP.
Frank Tarentino III, da DEA, descreveu as ações de Lin como arriscadas e prejudiciais à saúde pública, mesmo com conduta considerada inconsequente.
Contexto de políticas de fiscalização de criptomoedas
A sentença de Lin, de 30 anos, se destaca entre punições por operações de darknet. Ela vem em meio a mudanças recentes na atuação do Departamento de Justiça dos EUA, com descontinuação de uma unidade específica de enforcement de criptomoedas em 2025.
Em janeiro de 2026, o DOJ finalizou a apreensão de US$ 400 milhões ligada a uma plataforma de mixagem de criptomoedas. O foco permanece em narcóticos e terrorismo, segundo diretrizes da pasta.
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