- Documentos divulgados mostram que, em dois mil sete, o FBI avaliou haver “conexão clara” entre David Copperfield e Jeffrey Epstein e que eram possíveis encaminhamentos de vítimas entre eles.
- O objetivo da investigação era verificar se Copperfield e Epstein teriam compartilhado predileção por jovens e se indicavam vítimas um ao outro.
- A investigação do FBI sobre Copperfield começou após uma acusação de violência sexual feita por Lacey Carroll; o caso foi encerrado em dois mil dez e Copperfield nunca foi acusado.
- Relatos mencionam uma suposta relação próxima entre Copperfield e Epstein, com investigações sobre testemunhas em Miami e registros que indicavam visitas de Epstein a shows do mágico.
- Em mil e dezenove, uma versão parcialmente redigida sugeriu que Copperfield treinava funcionários para identificar jovens no público e que Epstein teria sido citado diversas vezes no decorrer das apurações.
A série de documentos do Departamento de Justiça dos EUA, divulgada na última semana, aponta que o FBI considerou existir uma ligação entre o ilusionista David Copperfield e Jeffrey Epstein. Os papéis indicam que as autoridades buscavam entender se os dois compartilhavam uma propensão por menores e se haveria indicação de encaminhamento de vítimas entre eles. Copperfield não foi acusado de conduta ilegal.
As informações foram reveladas em uma nova leva de arquivos do caso Epstein. Oficiais de Seattle e de Miami discutiram a necessidade de entrevistar testemunhas ligadas a Copperfield em solo da Flórida, para esclarecer se a relação envolvia atividades criminosas. A investigação sobre Copperfield começou em 2007, após acusações de uma mulher que o ligava a abusos na ilha privada Musha Cay, nas Bahamas.
Relação entre Copperfield e Epstein
Documentos indicam que a investigação avaliou se Copperfield e Epstein tinham uma rede de contatos que poderia ter facilitado abusos sexuais, com menção a uma lista de mulheres associadas ao mágico. Relatos internos apontam que parte das evidências incluía ingressos concedidos a Epstein e seus convidados durante apresentações de Copperfield.
O material judicial também descreve lacunas na documentação entre 1993 e 2005, período em que Epstein já atuava na cena investigativa. Altos promotores em Seattle e em Miami trocaram informações para mapear o possível vínculo entre as investigações de Copperfield e de Epstein.
Defesa e desdobramentos
Os advogados de Copperfield afirmaram que o artista não era amigo de Epstein e classificaram tais alegações como falsas ou mal compreendidas pela imprensa. Em 2024, autoridades destacaram que Copperfield não cometeu irregularidades e nunca foi apontado como cúmplice em crimes sexuais.
O material divulgado também traz relatos de que, segundo um memorando não totalmente divulgado, Copperfield treinava funcionários para identificar jovens no público e que, em alguns casos, fornecia notas e fotografias de possíveis companhias. A divulgação ocorre em meio a investigações que, mesmo não resultando em acusação contra Copperfield, continuam a levantar questões sobre possíveis vínculos com Epstein.
Espaços de comunicação entre autoridades de Seattle e Miami evidenciam a preocupação com a preservação de evidências e com a possibilidade de o caso Epstein influenciar investigações paralelas. As informações foram incluídas em e-mails e memorandos com linguagem confidencial atribuída a membros da Justiça norte-americana.
Desdobramentos legais
Entre as mensagens citadas, há referências a pleitos sobre a necessidade de obter informações adicionais sobre acordos legais de Epstein e sobre o potencial impacto desses acordos nas decisões sobre Copperfield. A documentação também mencionou esforços para entender se houve cooperação entre as investigações de Copperfield e de Maxwell, associada a Epstein no caso.
Copperfield tem reiteradamente negado qualquer conduta inadequada e comentou publicamente, por meio de seus representantes, que o relacionamento com Epstein não passa de uma relação de conhecimento mínimo, sem proximidade ou envolvimento em atividades ilegais. A defesa não respondeu a perguntas específicas sobre os novos documentos.
Fontes próximas ao tema indicam que, apesar da ausência de acusações diretas, as informações reveladas ampliam o escrutínio sobre as relações entre figuras públicas investigadas por abusos, especialmente na década de 2000. A divulgação dos arquivos continua a movimentar o debate público sobre jurisdição e responsabilidade em casos complexos.
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