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STF decide que campanhas de boicote são liberdade de expressão no caso Havaianas

STF decide que campanhas de boicote são expressão protegida; responsabilização civil ocorre apenas em caso de dolo ou de declarações dolosamente falsas

Ministros entenderam que “campanhas de cancelamento” estão protegidas pela liberdade de expressão, desde que não haja informações falsas. (Foto: Antonio Augusto/STF)
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  • STF decidiu que campanhas de boicote a eventos estão protegidas pela liberdade de expressão; responsabilização civil ocorre apenas em caso de difusão de informação dolosamente falsa.
  • Caso envolve a campanha da Havaianas, estrelada por Fernanda Torres, que gerou boicote nas redes por parte de perfis de direita.
  • STF julgou recurso do Projeto Esperança Animal contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia condenado o PEA a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais.
  • Por unanimidade, a Corte reverteu a condenação; a tese terá repercussão geral para casos semelhantes.
  • A tese aprovada amplia a proteção a campanhas promovidas por entidades civis para desestimular apoio a eventos, admitindo exceção apenas quando há dolo ou culpa grave na verificação dos fatos.

O STF manteve nesta quarta-feira a defesa da liberdade de expressão em casos envolvendo campanhas de boicote a eventos. A decisão, unânime, afirma que ações de pressão comercial podem ser consideradas expressões protegidas, a menos que sejam comprovadamente falsas de forma dolosa.

O caso envolve a campanha divulgada pela Havaianas, ligada ao grupo Alpargatas e estrelada pela atriz Fernanda Torres, que incentivou clientes a entrar em 2026 com os dois pés. Após a propaganda, perfis de direita passaram a realizar boicotes contra a marca. O julgamento tratou de limites entre crítica pública e dano premeditado.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) havia condenando o Projeto Esperança Animal (PEA) a pagar R$ 10 mil por danos morais, sob acusação de difamação sobre maus-tratos na Festa do Peão de Barretos. A associação Os Independentes, organizadora do evento, negou as acusações e alegou violação da honra.

Contexto do Caso

Por unanimidade, o STF reverteu a condenação imposta ao PEA. A decisão tem repercussão geral, o que permite que casos semelhantes sejam homologados em instâncias superiores. A tese original foi apresentada pelo então ministro Luís Roberto Barroso, relator, antes de sua aposentadoria.

Tese Aprovada e Voto dos Ministros

A maioria acolheu o voto de Moraes, que ampliou a tese para abranger campanhas de mobilização social promovidas por entidades civis, desde que não haja má-fé comprovada. A avaliação substitui a leitura anterior, restringida a casos específicos envolvendo proteção de animais.

Cármen Lúcia ressaltou que cercear a liberdade de expressão causa sofrimento. Mendonça destacou que restringir debates vira censura, mesmo quando há discordância. Fachin e Fux votaram contra a ampliação da tese.

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