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Raiva pontual, mas Paul Dacre mantém a cabeça diante da interrupção do julgamento

Paul Dacre mantém a calma no tribunal enquanto a defesa da Associated Newspapers encara perguntas com prazo imposto pelo juiz

‘I was a very busy man in those days,’ Paul Dacre said in court of his time at the Mail.
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  • Paul Dacre, ex-editor do Mail, depôs à justiça em Londres, mantendo voz baixa durante o testemunho.
  • O Ministério Público de defesa do Mail enfrentava o limite de tempo imposto pelo juiz Nicklin, com a sessão de cross-exame encerrando-se ao meio‑dia.
  • Os advogados dos acionistas questionaram Dacre sobre o uso de investigadores privados pela empresa, ao que ele disse ter proibido essa prática em 2007.
  • Dacre afirmou que o Mail on Sunday era um veículo autônomo e que, como editor‑chefe, não repara em detalhes de cada assunto.
  • Em momentos de irritação, o ex‑editor criticou reportagens de 2017 da Byline Investigates e o livro de Nick Davies; o juiz interrompeu repetidas vezes as perguntas, encerrando o dia sem mudanças no andamento do caso.

Paul Dacre, ex-presidente e editor-chefe do Daily Mail, compareceu ao tribunal de Londres nesta semana para prestar depoimento no âmbito de um processo movido contra Associated Newspapers (ANL). O case envolve acusações de coleta ilegal de informações, incluindo grampeamento, pantelhamento de telefones e “blagging”, segundo os autores da ação que também incluem celebridades como Prince Harry, Elton John e Elizabeth Hurley. A defesa sustenta que a ANL nega as acusações.

No tribunal 76 da Royal Courts of Justice, Dacre, de 77 anos, foi ouvido no segundo dia de depoimento em defesa da editora. O réu, que permaneceu com voz baixa, afirmou estar ocupado à época e disse não se lembrar de muitos detalhes ou documentos apontados pela acusação. A defesa reforça que Dacre supervisionava uma edição com cerca de 120 páginas diárias e que não possuía foco em itens considerados de baixo nível de detalhamento.

O juiz Nicklin, responsável pelo caso, havia imposto prazo curto para a continuação do interrogatório pela parte autora. A promotoria, representada por David Sherborne, tentou detalhar a relação entre o jornalismo investigativo e as ações de terceiros envolvidos na apuração de informações, mas foi interrompida pela autoridade judicial para manter o foco em pontos relevantes ao processo.

Dacre reconheceu, em tom contido, que a prática de uso de investigadores privados por jornalistas da Mail teria sido proibida a partir de 2007, segundo o que a defesa sustenta. Interrogações sobre histórias específicas, faturas e correspondências não obtiveram respostas conclusivas, com o ex-editor enfatizando a autonomia de veículos como a Mail on Sunday e a complexidade de gerenciar várias operações editoriais ao mesmo tempo.

Contexto do caso

O conjunto de acusações envolve supostas atividades de obtenção de informações sem consentimento de terceiros, em que a ANL nega qualquer irregularidade. O depoimento de Dacre ocorre em meio a debates sobre a influência de veículos de imprensa no cenário público britânico e a forma como a imprensa lida com informações sensíveis.

Desdobramentos

A próxima etapa do processo depende de novas audiências e de avaliações sobre a relevância de perguntas específicas feitas pela defesa. O tribunal ainda não indicou data final para o encerramento do interrogatório, que pode avançar conforme a linha de defesa.

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