- O UBS recomenda uma estratégia de hedge simples e estruturada diante da crise geopolítica atual, para proteger carteiras com a volatilidade do petróleo e inflação.
- As três ações-chave são: ampliar proteções contra quedas em ações, diversificar com dívida de alta qualidade, ouro e ampla exposição a commodities, e reduzir posições cíclicas.
- O cenário base sugere que os conflitos diminuam nas próximas semanas, o que poderia manter o petróleo abaixo de US$ 100 por barril, se o Estreito de Ormuz se reabrir.
- A recomendação inclui manter títulos de alta qualidade e longo prazo apenas com cautela, priorizando vencimentos médios para reduzir riscos fiscais e de juros.
- O UBS projeta que o ouro suba próximo de US$ 5.500 por onça nos próximos seis a doze meses, mantendo o metal como proteção e fonte de diversificação para carteiras.
O UBS recomenda aos investidores adotar uma estratégia de hedge simples e estruturada diante da incerteza global provocada pela guerra no Oriente Médio e pela inflação em alta. A orientação chega pela análise de cenários do banco para proteger carteiras.
A ideia é avaliar como cada carteira reagiria se o conflito se prolongar e os preços do petróleo permanecerem elevados, permitindo ajustes graduais nas exposições. A recomendação aparece como modo de obter controle em meio à volatilidade.
Para Alejo Czerwonko, diretor de investimentos em Mercados Emergentes nas Américas, a gestão de risco é essencial neste momento. O analista aponta três pilares para os próximos meses: proteção, diversificação e redução de ativos cíclicos.
Primeiro, aumentar as posições de hedge para proteger contra quedas de ações e para explorar ganhos em ativos mais seguros, como o dólar ou commodities. O objetivo é reduzir vulnerabilidade a oscilações abruptas.
Em seguida, diversificar inclui manter títulos de alta qualidade, ampliar a exposição a ouro e ampliar a exposição a commodities. Segundo o UBS, isso ajuda a mitigar impactos de choques monetários e fiscais.
Por fim, reduzir posições cíclicas em ações e em créditos de maior risco, especialmente diante da possibilidade de inflação elevada e de gastos governamentais em resposta ao conflito. A ideia é manter a carteira mais estável.
Antes de tudo, o banco ressalta que a gestão de riscos não é simples em um cenário em constante mudança. A recomendação é manter a proteção da carteira de forma simples e estruturada, sem esperança de perfeição.
Cenário de petróleo, ouro e juros
O UBS espera que as hostilidades diminuam nas próximas semanas, o que poderia reabrir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Caso aconteça, o petróleo ficaria abaixo de 100 dólares o barril, segundo projeção interna.
Apesar de esse cenário otimista, o banco alerta que os riscos de um conflito prolongado permanecem. Investidores bem diversificados, pacientes e com controle emocional devem manter uma estratégia estável, segundo a análise.
Em relação aos títulos públicos, houve ajuste desde o início dos ataques ao Irã. O UBS cita receios de inflação, custos com subsídios aos consumidores e maiores gastos militares como fatores que influenciam o cenário de juros.
A instituição segue entendendo que os títulos de alta qualidade têm papel importante na diversificação, ainda que as taxas de juros fiquem sensíveis a riscos fiscais. O foco fica em maturidades de médio prazo.
Para o base de cenários, o UBS projeta alta nos índices acionários até o fim de 2026, frente aos níveis atuais, com o ouro retomando seu papel de proteção contra riscos geopolíticos.
No front das commodities, o ouro mantém atração como proteção frente a choques monetários e fiscais, com expectativa de preço em torno de 5.500 dólares a onça nos próximos 6 a 12 meses, segundo a visão do banco.
Além disso, o UBS vê potencial para o cobre, por demanda global ainda crescente e oferta sujeita a restrições, sugerindo oportunidade de aportes estratégicos em quedas de preço de metais industriais.
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