- Relatório do private bank do J.P. Morgan aponta que family offices não estão expostos de forma adequada à growth e venture capital e à infraestrutura de IA, ativos centrais para a revolução tecnológica.
- Dos portfólios, apenas 3,3% estão em growth e venture capital, mesmo com 30,8% alocados em investimentos alternativos; ações representam 38,4% dos investimentos, ficando atrás de essa classe.
- Mais de 70% dos family offices não investem em empresas que produzem infraestrutura de IA, como centros de dados e redes, o que pode limitar a captura da oportunidade da tecnologia.
- A geopolítica é o principal risco para 64% dos escritórios; apenas 28% têm ouro, 11% investem em criptomoedas, e a inflação favorece a alocação em investimentos alternativos, como hedge funds e fundos imobiliários.
- Entre famílias empresárias, 48% adotaram estruturas formais de governança; 53% veem planejamento sucessório como grande tema, e 86% não possuem plano de sucessão claro para tomadores de decisão.
O relatório global do private bank do J.P. Morgan aponta falhas na alocação de family offices (FOs) em ativos de IA, destacando que a megatendência tecnológica não tem recebido o nível de exposição considerado adequado. A pesquisa ouviu 333 family offices distribuídos por 30 países, com patrimônio líquido médio de US$ 1,6 bilhão. O foco permanece na diversificação e no longo prazo, mas a exposição a growth, venture capital e infraestrutura de IA está subutilizada.
Segundo o estudo, a gestão de fortunas adota uma postura global pró-risco, porém 57% dos respondentes ainda não investem em growth nem em venture capital, áreas-chave para inovação. Em termos de composição de carteira, apenas 3,3% estão em investimentos de growth e venture, enquanto 30,8% estão em investimentos alternativos. As ações representam 38,4% do portfólio, ficando atrás apenas desse item.
A pesquisa aponta que mais de 70% dos FO não possuem investimentos em empresas que fornecem infraestrutura de IA, como centros de dados, redes e sistemas de resfriamento. Christophe Aba, head de investimentos, enfatiza a necessidade de olhar para além das grandes empresas líderes e buscar capacitores da cadeia de fornecimento, incluindo semicondutores e infraestrutura de energia.
Além disso, o estudo ressalta a importância do mercado privado, onde as dez maiores empresas de IA já atingem valor próximo de US$ 1,5 trilhão. Segundo o documento, grande parte do valor futuro da IA tende a emergir fora dos mercados públicos, o que reforça a necessidade de diversificação nessa área.
Geopolítica e inflação
A geopolítica é apontada como o principal risco por 64% dos FO, enquanto a adoção de proteções tradicionais e emergentes permanece baixa: 72% não investem em ouro e 89% não possuem criptomoedas. Investimentos alternativos ganham espaço diante da inflação, com quase 60% do capital aplicado nesse tipo de ativo, cerca de 20% acima da média global.
Negócios familiares
O relatório observa maior governança entre famílias com negócios, 48% já com estruturas formais, ante 40% entre as que não possuem empresas. Elisa Shevlin Rizzo, head de Family Office Advisory no JPMorgan Private Bank, aponta riscos como perda de sinergias, equipes enxutas e gestão de riscos holística insuficiente, que se tornam mais relevantes com transições econômicas e geracionais.
Famílias empresárias apresentam quase o dobro de incidência de conflitos internos como principal risco, 41% contra 23%. Além disso, 48% dessas famílias consideram essencial a avaliação da empresa na alocação de investimentos, enquanto a participação de planos de sucessão permanece baixa: 53% apontam planejamento sucessório como preocupação, e 86% não possuem plano claro para os tomadores de decisão.
Terceirização de serviços
A complexidade crescente impulsiona custos operacionais: o gasto médio anual de um family office varia de US$ 3 milhões a US$ 6,6 milhões, conforme o tamanho do patrimônio. Cerca de 25% a 28% dos custos vão para serviços externos, como jurídico, negociação, cibersegurança e outros.
A terceirização ocupa posição estratégica, com 80% dos FO terceirizando algum aspecto da gestão de portfólio. Escritórios com US$ 1 bilhão ou mais em ativos tendem a terceirizar mais da metade de seus ativos. Entre as funções mais terceirizadas estão serviços jurídicos (52%), negociação/execução de mercado (45%) e cibersegurança (38%).
À medida que FO digitalizam operações e consolidam dados, plataformas tecnológicas ganham relevância, com 32% citando a cibersegurança como prioridade máxima. Isso reflete a necessidade de proteger informações sensíveis e manter a continuidade de investimentos em um ambiente cada vez mais complexo.
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