- Quatro funcionários de um cemitério em Burr Oak, perto de Chicago, exumaram mais de cem corpos para revender os mausoléus, há quase vinte anos.
- Uma pequena camada de musgo encontrada com os restos foi crucial para a condenação dos ladrões de sepulturas, levando pesquisadores a identifying o musgo como Fissidens taxifolius.
- O musgo não crescia no local onde os corpos foram encontrados, mas era comum em área sombreada sob árvores, sugerindo que foi movido junto aos corpos.
- Análises mostraram que o musgo ainda apresentava metabolismo ativo, permitindo estimar que o crime ocorreu menos de doze meses antes, controvertendo a defesa dos réus de que o crime ocorreu há muito tempo.
- O material vegetal coletado foi considerado “fundamental” para as condenações durante o julgamento, conforme estudo publicado em Forensic Sciences Research, com participação de um agente aposentado do FBI.
Four trabalhadores de um cemitério em Alsip, perto de Chicago, cavaram mais de cem corpos e deslocaram os restos para revender as covas, por motivos de lucro. O crime ocorreu há quase duas décadas e saiu à luz após investigações.
Agora, cientistas divulgaram detalhes de como um punhado de musgo ajudou a condenar os criminosos. O caso ganhou relevância pela descoberta de evidências botânicas associadas aos túmulos violados.
Evidência de musgo como peça-chave
Em 2009, a polícia local identificou restos humanos soterrados sob camadas de terra no cemitério Burr Oak, uma área de importância histórica para a comunidade negra, onde está o túmulo de figuras como Emmett Till e a cantora Dinah Washington.
O FBI solicitou a participação do Field Museum, em Chicago, para analisar o musgo encontrado junto aos restos. A amostra foi comparada a herbários do acervo para identificar a espécie.
Os especialistas concluíram que o musgo era Fissidens taxifolius, comum em áreas pouco iluminadas sob árvores, mas não havia registro da planta nas zonas de enterro investigadas. O material foi movido junto com os corpos.
Para estimar o tempo desde o crime, pesquisadores mediram a atividade metabólica do musgo sob luz, comparando com amostras de museu e do cemitério. O resultado apontou que o musgo permaneceu enterrado por menos de 12 meses.
Segundo Doug Seccombe, ex-agente do FBI e coautor do estudo, a evidência vegetal foi determinante para confirmar a linha do tempo do crime na fase de julgamento, ajudando a sustentar as convicções.
Matt von Konrat, chefe de coleções botânicas do Field Museum, afirmou que a participação do musgo evidencia o valor de coleções de história natural para investigações forenses. O pesquisador destacou ainda a possibilidade de aplicações futuras.
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