- O ministro Dias Toffoli autorizou a divulgação de oito depoimentos e uma acareação do caso Master, ocorridos em dezembro de 2025, a pedido do Banco Central.
- Participaram das audiências, conduzidas pela delegada da Polícia Federal Janaina Pereira Lima Palazzo: Ailton de Aquino (diretor de Fiscalização do BC), Daniel Vorcaro (dono do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB).
- Na acareação entre Vorcaro e Costa, houve versões divergentes sobre a origem das Cédulas de Crédito Bancário emitidas a partir de créditos inexistentes; o BC aponta que o BRB gastou cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas.
- A PF aponta que as CCBs não eram do Master, mas de Tirreno, The Pay e Cartos; Vorcaro afirma que eram carteiras originadas pelo Master, vendidas a terceiros e recompradas pelo Master, ao passo que Costa diz que não havia evidência concreta de “carteiras podres”.
- Aquino disse que a fiscalização não encontrou transferências dos créditos aos beneficiários finais; Costa citou falta de padrão documental para sustentar a compra das carteiras; o caso é comparado pelo BC ao acidente do Banco Cruzeiro do Sul, com impactos sobre consumidores como a “Dona Maria”.
Foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, do STF, o levantamento de oito depoimentos e de uma acareação do caso Master, ocorridos em dezembro de 2025. A divulgação veio a pedido do Banco Central (BC) e revela contradições entre as testemunhas.
Os depoimentos foram conduzidos pela delegada da Polícia Federal Janaina Pereira Lima Palazzo, com a participação de Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC; Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Na acareação, Vorcaro e Costa apresentaram versões diferentes sobre a origem das Cédulas de Crédito Bancário emitidas a partir de créditos inexistentes, apontadas pela PF como uma prática de fabricação de CCBs. Segundo a Polícia Federal, as cédulas não teriam saído do Master, mas de Tirreno, The Pay e Cartos. Vorcaro afirma que o BRB reconhecia que as carteiras tinham origem fora do Master, enquanto Costa sustenta que havia Carteiras originadas pelo Master, vendidas ou recompradas para terceiros.
A fiscalização do BC, conforme Aquino, não localizou transferências dos créditos até os beneficiários finais, o que alimenta dúvidas sobre a operacionalização das cédulas. Costa, por sua vez, disse não ter visto evidência concreta de problemas nas carteiras, mesmo após revisar padrões documentais exigidos para as operações.
Durante o interrogatório, Palazzo questionou o ex-presidente do BRB sobre a decisão de adquirir carteiras consideradas de risco. Costa explicou que a decisão levou em conta a ausência de um padrão documental atendido, além de uma previsão contratual para carteiras originadas pelo Master, que não foi confirmada em seguida.
Vorcaro afirmou estar sob intenso escrutínio do BC, destacando que tudo o que envolve o Master é acompanhado pela autoridade monetária. Ele ressaltou que declara seus bens e paga impostos, mencionando o histórico de monitoramento do BC ao longo dos anos.
A delegada questionou ainda se haveria sanções adicionais ao Master. A defesa argumentou que eventuais medidas administrativas dependem de decisões da governança da instituição, sem caráter imediato, e que situações futuras estão em avaliação.
Durante o interrogatório, Aquino detalhou como a fiscalização opera a partir de indícios encaminhados ao Ministério Público, ressaltando o prazo de até cinco anos para a proposição de processo administrativo sancionador. O tema também envolveu questionamento sobre eventual auxílio político, ao qual Vorcaro rebateu, dizendo não ter recebido ajuda para viabilizar a venda do Master ao BRB.
Ao analisar o funcionamento da fraude, Aquino traçou paralelo com o caso do Banco Cruzeiro do Sul, de 2012, destacando a prática de manter valores próximos aos limites de monitoramento para contornar filtros. O diretor enfatizou o impacto sobre o consumidor final, sem identificação de transferências reais de valores aos clientes no caso envolvendo Tirreno.
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