Bangladesh busca ampliar investimentos chineses para reanimar a economia, mantendo ao mesmo tempo esforços de readequação com a Índia. A nova gestão quer parcerias estratégicas ao lado de Dhaka, diante de uma trajetória econômica fragilizada.
O primeiro-ministro Tarique Rahman realizou viagens oficiais a Malaysia e China no mês passado, sinalizando a direção da política externa de Bangladesh. A visita a Beijing é vista como mais significativa.
Analistas apontam que o itinerário reflete a recalibração de prioridades estratégicas de Dhaka. Enquanto a Índia continua importante, o foco em China sugere busca por apoio econômico e tecnológico.
Contatos bilaterais e acordos relevantes
Entre os acordos, Rahman pediu ajuda chinesa para a gestão do Rio Teesta e houve um acordo para desenvolver uma zona econômica especial perto do porto de Mongla. Tais temas chamam atenção em Delhi.
As escolhas de Dhaka ocorrem em meio a tensões diplomáticas com a Índia, marcadas pela deposição de Hasina em 2024 e pela instauração de um governo interino. Verificam-se esforços para reestabelecer relações.
Em conversas, o ex-secretário de Relações Exteriores da Índia afirmou que há relaxamento nas tensões e retorno gradual de atividades econômicas transfronteiriças, além da emissão de vistos de turistas.
Contexto regional e balanço comercial
Serviços de ônibus entre Índia e Bangladesh voltaram a operar parcialmente entre Calcutá-Dhaka e Dhaka-Agartala, após 18 meses. Ações de cooperação econômica vêm sendo retomadas.
Durante a crise no Oriente Médio, a Índia forneceu combustível de emergência via oleoduto Friendship Pipeline para Bangladesh, ampliando a cooperação humanitária.
Horizonte diplomático
O novo enviado indiano a Dhaka, Dinesh Trivedi, assumiu o posto com status de ministro, sinalizando a tentativa de reequilibrar as relações bilaterais. O comércio bilateral ficou próximo de £13 bilhões no ano anterior, com saldo favorável à Índia.
A participação de Pequim no Teesta é vista como sensível para a Índia, que questiona a influência chinesa perto de áreas estratégicamente importantes. Bangladesh afirma que China atua com cooperação e sem visar terceiros.
Perspectivas
Especialistas destacam que Bangladesh depende de recursos e know-how chinês para projetos de grande escala. Pekim diz que a cooperação não foca terceiros e deve permanecer neutra. A missão de Rahman busca manter Dhaka como polo estratégico entre potências.
Entre na conversa da comunidade