- O Papa Leão XIV celebrou missa em Lampedusa e afirmou que as mortes de migrantes resultam de decisões tomadas e de decisões não tomadas.
- Na homilia, ele citou o Bom Samaritano, enfatizando a necessidade de proximidade e hospitalidade aos migrantes, e elogiou o “milagre da compaixão” da ilha.
- O pontífice agradeceu aos voluntários, ao Fórum Lampedusa Solidale, à Guarda Costeira, às autoridades locais e aos migrantes que atuam na acolhida, ressaltando que a fé não deve excluir.
- Ele pediu à Europa um plano estratégico de longo prazo para receber, proteger, apoiar e integrar migrantes, destacando a responsabilidade compartilhada entre instituições e sociedade.
- Antes da missa, visitou o cemitério, encontrou uma família de migrantes na Porta d’Europa e recebeu uma bola de papel de uma criança; concluiu com orações junto ao mar.
O Papa Leão XIV celebrou missa em Lampedusa neste sábado e afirmou que as mortes de migrantes no Mediterrâneo decorrem de decisões tomadas e de decisões não tomadas. A homilia aconteceu no campo Arena, na manhã do dia 4 de julho, e ressaltou a vulnerabilidade dos que atravessam o mar.
Ele descreveu a situação como uma violência que envolve políticas, ações e omissões, destacando a necessidade de acolhimento, solidariedade e proteção aos migrantes. O pontífice lembrou a proximidade com a comunidade de Lampedusa e enfatizou a Eucaristia como referência de presença cristã.
Homilia: o Bom Samaritano e a ética da presença
A reflexão manteve o foco no amor concreto, na hospitalidade e na prontidão para ajudar os necessitados. O Papa destacou que o encontro entre culturas deve manter as portas abertas, evitando que pessoas se tornem ilhas isoladas. O chamado foi para a proximidade ativa aos vulneráveis.
Durante a cerimônia, Leão XIV agradeceu aos voluntários, organizações locais, autoridades, a Guarda Costeira e profissionais que atuam com migrantes na ilha. Também mencionou os migrantes presentes, reconhecendo que muitos já contribuíram com ações de solidariedade.
Contato com a Europa e plano estratégico
Do território de Lampedusa, o Papa direcionou críticas à indiferença e aos preconceitos, cobrando respostas consistentes da União Europeia. Defendeu a elaboração de um plano estratégico de longo prazo para receber, proteger, apoiar e integrar migrantes, buscando ajudar também países emissores.
O Papa pediu que a Europa coordene esforços com governos, sociedade civil e Igreja. Ao falar com os moradores da ilha, ele instou a evitar muros invisíveis entre turistas e migrantes, promovendo um intercâmbio humano baseado na caridade e na justiça econômica.
Visita ao cemitério e encontro com famílias
Antes da missa, Leão XIV visitou o cemitério de Lampedusa para homenagear migrantes falecidos, especialmente crianças. Em seguida, encontrou-se com uma família de migrantes na Porta d’Europa, recebendo uma mensagem de esperança expressa por uma criança.
A programação incluiu ainda uma passagem pelo Molo Favaloro, onde abençoou uma placa em homenagem ao Papa Francisco. O papa encerrou o dia buscando silêncio e oração junto ao mar, antes de retornar ao campo Arena para a celebração litúrgica.
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