- Três candidatas à liderança da ONU — Rebeca Grynspan, Maria Fernanda Espinosa e Michelle Bachelet — participaram do debate em Genebra para apresentar propostas sobre resgatar a confiança na organização.
- Dois candidatos homens não estiveram presentes: Macky Sall enviou um vídeo com propostas de reforma; Rafael Grossi, da OIEA, não participou, segundo a moderadora Zeinab Badawi.
- O foco foi fortalecer a ONU como mediadora de conflitos e promotora do desenvolvimento sustentável, com ênfase na prevenção de guerras e na atuação independente.
- As candidatas destacaram diplomacia, experiência institucional e necessidade de ampliar participação de jovens, mantendo a defesa dos direitos humanos e do multilateralismo.
- A escolha depende do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral; pela rotação geográfica, América Latina e Caribe deve indicar o próximo secretário-geral, o que diminui as chances de Sall. A decisão final ocorre em setembro, com aprovação de pelo menos nove votos no Conselho e sem veto dos cinco membros permanentes.
O primeiro debate mundial sobre a escolha do próximo secretário-geral da ONU ocorreu em Ginebra, Suíça, nesta terça-feira. Três candidatas apresentaram seus planos para reconstruir a confiança na organização, diante da crise de credibilidade do multilateralismo. O encontro foi organizado pela GWL Voices e pela Fundação das Nações Unidas em Genebra.
Rebeca Grynspan, Maria Fernanda Espinosa e Michelle Bachelet defenderam uma ONU mais próxima das pessoas, atuante na prevenção de conflitos e impulsionadora de desenvolvimento sustentável. O formato incluiu discursos curtos e dois minutos de intervenções finais, em 75 minutos de debate.
As candidatas destacaram valores como presença, experiência e diplomacia, buscando transmitir capacidade de liderança sem abrir mão da neutralidade. Não houve mudanças radicais nas propostas desde os discursos apresentados à Assembleia Geral em maio.
Ahold de participação. O debate enfatizou a recuperação da confiança pública na ONU como mediadora independente, com foco em prevenir conflitos e manter o papel da organização no sistema internacional baseado em regras.
Ausência dos candidatos homens
Os candidatos homens não participaram presencialmente. Macky Sall, ex-presidente do Senegal, enviou uma mensagem em vídeo para defender uma ONU reformada com participação equitativa de grandes e pequenos países. Rafael Grossi, diretor-geral da OIEA, recusou o convite para o debate, segundo a moderadora Zeinab Badawi.
Grynspan disse que não quer que a ONU seja vista como ausente: “Quero que ninguém pergunte onde está a ONU.” Ela reforçou a necessidade de ampliar a participação de jovens, com o objetivo de aumentar a representatividade de menores de 30 anos no sistema das Nações Unidas.
Bachelet argumentou que a diplomacia continua sendo ferramenta central para mediar guerras e prevenir conflitos, ressaltando a importância de manter pilares como paz, desenvolvimento e direitos humanos. Espinosa enfatizou que o secretário-geral precisa ter os pés no terreno.
Ao final, as candidatas enfatizaram que o tema central é restaurar a autoridade da ONU, com uma liderança capaz de trazer esperança e dialogar com todos os atores relevantes. A escolha final depende do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral, em votação prevista para setembro.
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