- Comissões parlamentares analisam a nomeação de Peter Mandelson como embaixador dos EUA, com inconclusões possíveis ainda prematuras.
- O inquérito ouviu mais de setenta e sete mil palavras de depoimentos de cinco cargos elevados no governo, mas há falta de documentos.
- O governo estaria deixando de cumprir uma moção parlamentar que ordenou a divulgação de todos os papéis relacionados à nomeação.
- O UK Security Vetting (UKSV) recomendou negar a clearance devido a risco de segurança, mas o Foreign Office concedeu autorização com mitigação.
- A próxima leva de arquivos deve sair em junho; autoridades avaliam se devem ouvir mais testemunhas, incluindo Corin Robertson, enquanto seguem dúvidas sobre o motivo de a decisão ter sido tomada apesar da recomendação contrária.
Peter Mandelson e a nomeação como embaixador dos EUA: perguntas sem resposta
Uma comissão parlamentar de relações exteriores analisa a nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico em Washington. Até agora, ouviu mais de 77 mil palavras de depoimentos de cinco dos mais altos funcionários e assessores do governo. As próximas etapas ainda não estão definidas.
A investigação esbarra na falta de documentos, com críticas sobre o governo não cumprir a ordem de liberar todos os papéis relacionados à nomeação. A reunião da comissão deve ocorrer na terça-feira, com opções que vão desde conclusões preliminares até a extensão da apuração para novas respostas.
Em torno da nomeação e do veto de segurança
A decisão de Mandelson foi anunciada por Keir Starmer em dezembro de 2024, gerando críticas e pedidos de demissão. Wes Streeting, rival potencial de Starmer, também enfrenta questionamentos sobre a proximidade com Mandelson. Streeting já afirmou que não era próximo dele.
A próxima leva de documentos sob o Humble Address deve sair apenas em junho, dificultando respostas adicionais no momento. A ausência de transparência sobre o veto de segurança de Mandelson tem sido apontada pela comissão como entrave para avaliar a decisão de Robbins.
O que disseram os depoimentos até agora
Olly Robbins, então secretário permanente do Foreign Office, autorizou a nomeação apesar de ser considerado de alto risco na avaliação de segurança. A avaliação final coube ao Foreign Office, com mitigação de riscos sugerida pela UK Security Vetting (UKSV).
A UKSV concluiu o veto de Mandelson e recomendou negar a autorização. Em poucas horas, o FO decidiu conceder a clearance com mitigação, contrariando o parecer da agência. A comissão questiona por que Robbins não avaliou o resumo da UKSV, composto por cerca de 10 páginas.
Desdobramentos e pessoas envolvidas
Ian Collard, chefe da equipe de segurança na época, recebeu o briefing oral sobre o conteúdo do resumo da UKSV e foi quem levou o caso a Robbins para decisão final. Corin Robertson, então diretor de operações do FO, também participou do processo e concordou com a avaliação de que os riscos poderiam ser mitigados.
A comissão pode convidar Robertson para depor, já que, em agosto, ele assumirá como embaixador do Reino Unido no Japão. Robbins disse que os documentos sumários da UKSV eram extremamente sensíveis e deveriam permanecer em local restrito.
O que ainda permanece incerto
Um ponto de confusão envolve a alegação de Robbins de que a UKSV considerava Mandelson um caso borderline. A documentação publicada pela Câmara mostra um quadro com risco elevado e recomendação de negação, gerando dúvidas sobre essa afirmação.
A comissão também analisa por que Mandelson só foi retirado de Washington em setembro de 2025, após revelações sobre seu vínculo com o recorrente Jeffrey Epstein. A imprensa aponta que o momento de novas perguntas coincidiu com mudanças na equipe governamental.
O peso político da controvérsia
A controvérsia repercute no governo de Starmer, com pressões para esclarecer a nomeação e a gestão de segurança. O desdobramento pode exigir novas evidências do FO e de outras áreas do governo, além de eventuais ajustes no processo de vetting de futuras nomeações diplomáticas.
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