- O historiador João Miragaya diz que o plano de Trump para encerrar a guerra com o Irã tende a falhar, pois Teerã se vê em posição de força.
- O analista aponta que o pacote dos EUA traz 15 pontos favoráveis a Washington e a Israel, e apenas três ao Irã, incluindo o levantamento de sanções.
- Segundo ele, o plano quase configura uma rendição iraniana em troca do levantamento de sanções, o que dificulta a aceitação por Teerã.
- Miragaya afirma que a ideia de Trump é obter uma saída “vitoriosa” por meio de uma trégua de um mês para, depois, apresentar ganhos aos olhos dos apoiadores.
- Fatores que ajudam os EUA a desejar rápido desfecho incluem Copa do Mundo em junho, eleições em novembro e a importância do Estreito de Hormuz, além da popularidade de Trump.
O plano de Donald Trump para pressionar o Irã visando encerrar o conflito foi avaliado como favorável a Teerã por um historiador brasileiro. João Miragaya, ligado ao Instituto Brasil-Israel, afirma que a estratégia não tende a funcionar, pois a teocracia iraniana está em posição de força.
Segundo a análise, o que ficou claro é que a proposta norte-americana representa mais uma pressão retórica do que uma ofensiva viável. Militarmente, os EUA poderiam atacar infraestrutura iraniana, mas as consequências seriam difíceis de sustentar, o que levou a uma leitura de que o ultimato era uma manobra de alto risco.
Para Miragaya, o acordo apresentado aos iranianos contém 15 pontos favoráveis a Washington e a Israel, com apenas três concedidos a Teerã, incluindo o levantamento de sanções. O historiador sustenta que o conteúdo essencial sinaliza uma rendição condicionada, o que dificulta a aceitação por Teerã.
Com a abertura de negociações, o especialista aponta que a estratégia de Trump busca uma saída que o faça soar vitorioso, mesmo com a aprovação interna oscilante nos EUA. Ele ressalta que o objetivo seria obter uma trégua de curto prazo para consolidar ganhos diplomáticos.
Miragaya destaca ainda dois fatores que aceleram a pressão dos EUA em relação ao prazo, menos relevantes para Israel. A proximidade de eventos eleitorais e a independência do Irã sobre o Estreito de Hormuz são citadas como elementos que favorecem Teerã diante da ofensiva anunciada.
A leitura é de que o ultimato foi considerado por ele uma estratégia pouco eficaz, já que Reagan de negociações por meio de terceiros pode complicar a condução do processo. O comentário foi feito ao UOL News, do Canal UOL, com base em entrevistas contendo observações sobre o cenário regional.
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