- O ministro Mauro Vieira afirmou na Câmara que uma iniciativa diplomática liderada por Lula em 2010 poderia ter evitado o atual tensionamento envolvendo o Irã.
- A Declaração de Teerã previa envio de cerca de 1.200 kg de urânio pouco enriquecido para a Turquia, em troca de combustível nuclear, com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, para reduzir o estoque iraniano e evitar escalada diplomática.
- Vieira disse que, mesmo com a proposta, o avanço do programa nuclear iraniano continuou e o acordo não foi suficiente para conter as negociações entre Estados Unidos e outras potências.
- O chanceler mencionou que houve carta pessoal do então presidente Barack Obama incentivando o esforço brasileiro, mas os norte-americanos não teriam honrado os entendimento.
- Um estrategista internacional afirmou que a Declaração foi vista como fraca, sem poder real de barganha, e que o Irã manteve o enriquecimento mesmo após a proposta.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse na Câmara dos Deputados que uma iniciativa diplomática liderada por Lula em 2010 poderia ter evitado o atual cenário de tensão envolvendo o Irã. Segundo ele, se a Declaração de Teerã tivesse avançado, o Irã teria reduzido seu estoque de urânio enriquecido e o mundo talvez estivesse em outra situação. Vieira ressaltou que a proposta visava evitar sanções e desescalada diplomática.
O chanceler comparou a tentativa de 2010 com negociações recentes no Oriente Médio, destacando a ideia de enviar urânio pouco enriquecido para a Turquia e receber combustível nuclear sob supervisão da AIEA. A postura seria responsável por criar confiança entre as partes e conter o avanço do programa iraniano, segundo o ministro.
Contexto histórico
Vieira afirmou que a Declaração de Teerã, articulada por Brasil e Turquia, foi considerada insuficiente para contornar o programa nuclear do Irã e acabou sendo rejeitada por Estados Unidos e outras potências. O avanço nuclear iraniano continuou mesmo após a proposta.
Documentos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks revelaram que, em 2005, autoridades americanas já apontavam que o chanceler Celso Amorim manobrava para dificultar negociações promovidas por Washington no Oriente Médio. As informações indicaram oposição de Brasília a medidas unilaterais.
O ministro citou ainda relatos de 2008 segundo os quais Omã atuava como mediador no conflito envolvendo Irã e EUA, porém Washington teria saído das negociações sem explicação. Vieira destacou que a frustração brasileira acompanhava a de mediadores da época.
Avaliação de especialistas
Para o estrategista Cezar Roedel, a Declaração de Teerã foi vista com ceticismo por potências, por soar fraca e sem poder de barganha real. A crítica envolve a ausência de limitação ao enriquecimento do Irã e a dúvida sobre a quantidade proposta.
Roedel argumenta que declarações desse tipo costumam ter eficácia limitada, não garantindo inspeções internacionais robustas. Ele compara o episódio ao Acordo de Munique, que não resultou em garantias duradouras de paz.
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