- Anita Anand, ministra das Relações Exteriores do Canadá, diz ter elaborado um “documento de princípios” para reduzir spillover regional, minimizar impactos a estados não beligerantes e mitigar choques econômicos, buscando diálogo com todos os países do G7 e parceiros impactados.
- O Canadá defende uma abordagem coletiva do G7 e do Oriente Médio para desescalar a guerra no Irã, com saídas que possam levar ao fim do conflito, e vê a reunião do G7, presidida pela França neste ano, como início de uma posição comum.
- Anand destaca a necessidade de discutir rotas de saída, ou “off ramps”, de forma coordenada com os países diretamente afetados pelas retaliações iranianas.
- Ela afirma que o Canadá não participou da ofensiva militar e não apoia a operação, reconhecendo a importância do Estreito de Hormuz e o risco para reservas de petróleo e cadeias de suprimento globais.
- Anand aponta avanço na diversificação comercial desde 2025, com mais de 12 acordos assinados em seis meses, e menciona a possibilidade de o Reino Unido participar do Defence Security and Resilience Bank, com negociações em Montreal na próxima semana.
O Canadá está promovendo uma abordagem conjunta do G7 com o Oriente Médio para desescalar o conflito envolvendo a Iran. A ministra das Relações Exteriores, Anita Anand, afirmou que elaborou um conjunto de princípios para reduzir o risco de estouro regional e impactos sobre civis e economias.
Anand disse que o documento de princípios está sendo discutido com várias nações e parceiros afetados pela guerra. Ela busca uma discussão coordenada sobre saídas estratégicas que possam levar a um fim do conflito, especialmente com países diretamente atingidos pelas retaliações.
Em Londres, após encontro com a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, Anand também confirmou conversas com o ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan. A ideia é, segundo ela, iniciar uma conversa mais ampla em uma reunião do G7, presidida pela França neste ano, para construir uma abordagem coletiva.
Esforço conjunto no G7
Anand enfatizou que a posição europeia e canadense tem sido relativamente reticente até agora diante da campanha militar dos EUA e de Israel, com retaliações do Irã e ataques a navios no Golfo. Ela afirmou que Londres e Paris acompanham a evolução e que o tema está sendo alinhavado de forma gradual entre aliados.
A ministra ressaltou a importância do estreitamento de laços com países diretamente impactados, para discutir saídas de crise de forma coordenada e evitar efeitos nocivos para civis. Ela destacou que o Canadá não participa da ofensiva militar liderada pelos EUA e Israel.
Contexto regional e impactos globais
Anand reforçou a preocupação com o estreito de Hormuz, pela relevância estratégica para o abastecimento mundial de petróleo e cadeias de suprimento de alimentos. Ela apontou que o Canadá não tem interesse em provocar aumentos de tensão, mas reconhece a gravidade da situação no comércio regional.
O Canadá mantém a posição de reconhecer a importância de reduzir a escalada, ao mesmo tempo em que mantém distância de ações militares. O país não mantém relações diplomáticas com o Irã há 15 anos e classifica a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista.
Além disso, Anand comentou sobre a diplomacia canadense buscando maior atuação de potências médias. Ela citou o discurso do primeiro-ministro Mark Carney no Fórum Econômico Mundial em Davos, que chamou para uma atuação mais proativa dessas nações, em alinhamento com valores democráticos.
Movimentação diplomática e próximos passos
A agenda de Anand inclui diálogos com outros membros do G7 e com países impactados pela guerra para delinear estratégias de desescalada. Ela indicou que o Canadá trabalha para ampliar acordos comerciais não relacionados aos EUA e reforçar alianças estratégicas em diferentes regiões, conforme as circunstâncias.
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