- Bijan Khajehpour, economista iraniano e ex-prisioneiro político, vive no exílio em Viena desde 2009, após ser acusado de espionagem; cofundou a consultoria Atieh Bahar (hoje Eunepa).
- Em entrevista, afirma que a mudança no Irã deve vir de dentro, não por intervenção externa, e descreve o regime como cada vez mais endurecido desde Ahmadineyad.
- Observa deterioração da relação entre Estado e sociedade, com protestos em 2009, 2019, 2022 e 2026, e teme que a guerra atual radicalize ainda mais o regime, com o risco de desintegração do país.
- Aponta que a guerra tem impacto econômico e energético, destacando Jarg e o estreito de Ormuz; sanções ampliam sofrimento da classe média e a corrupção agrava a governance iraniana.
- Afirma que o futuro do Irã precisa surgir de dentro; não vê democracia ocidental em curto prazo e considera que pressões externas tendem a fortalecê-lo, não derrubá-lo.
Bijan Khajehpour, economista iraniano e especialista em geopolítica, concedeu entrevista por videoconferência a partir de Viena. O tema central foi a escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e aliados ocidentais, e as perspectivas para o país.
O pesquisador, exilado desde 2009 após prisão em Teerã, afirma que o regime enfrenta uma pressão externa que tende a resultar em radicalização. Para ele, o objetivo de desmembrar o Irã seria uma leitura de longo prazo defendida por Israel.
Khajehpour aponta que o país encara a guerra como ameaça existencial e que a economia, o varejo energético e as exportações de petróleo estão no centro das consequências regionais. Segundo ele, o uso de portos e do estreito de Ormuz elevou a tensão global.
O economista relata que, ao longo dos anos, o vínculo entre Estado e sociedade no Irã se deteriorou. Ele cita protestos de 2009, 2019, 2022 e 2026, destacando críticas à corrupção, à governança e à resposta do regime às mobilizações.
Sobre a diáspora iraniana, Khajehpour afirma que exilados enfrentam humilhação e trauma. Embora a inclinação possa levar alguns a desejar intervenção externa, ele sustenta que mudanças devem ocorrer internamente.
Quanto à possibilidade de desregulamento ou queda do regime, o especialista ressalta que a interrupção rápida de ataques não é suficiente para derrubar o governo. A distribuição de poder no Irã seria diferente de outros regimes autocráticos regionais.
Em relação aos Estados Unidos, o pesquisador critica a leitura de que apenas ataques concluiriam a guerra. Ele indica que a área militar e o apoio internacional moldam o conflito, com variáveis políticas internas nos EUA influenciando decisões.
Sobre o papel das sanções, Khajehpour afirma que endurecimento externo tende a radicalizar o regime. O impacto recai, segundo ele, nas classes médias, que perdem espaço econômico e social, fortalecendo a coesão em torno do governo.
O analista comenta que ataques a infraestruturas na região podem aumentar o custo da guerra para potências ocidentais e pressionar o mercado de energia. O Irã busca elevar o custo para impedir avanços das potências envolvidas.
Ao citar figuras políticas regionais, o especialista diz que a liderança iraniana pode seguir caminhos diferentes, entre linha dura ou reformas graduais. O futuro dependerá da duração do conflito e das pressões regionais.
Khajehpour também comenta a eleição do líder supremo Mojtaba Jamenei e o impacto na radicalização do regime. Segundo ele, cenários variam, com reformas possíveis ou intensificação das restrições.
Sobre alternativas à República Islâmica, o entrevistado afirma que a solução está dentro do Irã, com potenciais líderes favoráveis a reformas. A figura de Reza Pahlaví é vista com ceticismo diante de propostas de intervenção externa.
Por fim, o analista questiona planos de longo prazo dos EUA para o pós-guerra, sugerindo que uma estratégia clara não é observada. A continuidade do conflito dependeria de decisões políticas internas americanas.
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