- Trump ameaçou cortar todo o comércio com a Espanha após o presidente Pedro Sánchez se recusar a permitir uso de bases espanholas para operação contra o Irã.
- Entre as possibilidades estão embargo e sanções via leis dos Estados Unidos, como a Lei de Poderes de Guerra (IEEPA) e a Seção 301, embora a aplicação a um aliado seja improvável e complexa.
- Espanha não cooperará com operações militares dos Estados Unidos e Washington enfrenta dificuldades legais e políticas para agir sem consenso da UE.
- A União Europeia afirmou que defenderá os seus interesses e que está pronta para agir caso haja represálias comerciais contra um Estado-membro.
- O comércio entre EUA e Espanha é modesto: cerca de 4,3% das exportações espanholas; em 2025, Espanha exportou 16,716 bilhões de euros para os EUA e importou 30,174 bilhões, ampliando o déficit.
O governo dos Estados Unidos deixou claro que pode impor sanções comerciais a Espanha, mas reconhece que tais medidas seriam incomuns e juridicamente complexas. A escalada envolve tensões entre Washington e Madrid desde a gestão de Donald Trump e o tema 2% do PIB para defesa. O atrito recente ocorreu após a atuação dos EUA contra o Irã, sem mandato claro do Congresso ou consulta às Nações Unidas.
Sánchez, presidente espanhol, não autorizou o uso de bases americanas em Rota e Morón para a ofensiva sobre Teerã. Em resposta, Trump afirmou que cortaria relações comerciais com a Espanha, chamando o país de aliado notoriamente resistente às pressões de defesa da OTAN.
Trump já havia manifestado a intenção de aplicar medidas duras. Em entrevista recente, citou que a Espanha não contribuiu com a meta de 5% do PIB para a OTAN, e alegou hostilidade das autoridades espanholas em relação ao uso das bases.
Entre as possibilidades citadas pela imprensa, destaca-se um embargo comercial completo, embora fontes oficiais não detalhem o alcance. O Tesouro americano acusou a Espanha de colocar em risco a vida de cidadãos dos EUA, sem indicar vias concretas de aplicação.
O governo espanhol reiterou que não colaborará com operações militares dos EUA contra o Irã e ressaltou dificuldades legais de adotar medidas unilaterais sem acordo com a UE. A relação entre os dois países segue como aliança histórica da OTAN, com divergências pontuais.
Especialistas apontam caminhos legais possíveis, mas improváveis. Uma opção seria invocar a Lei de Poderes de Guerra para justificar sanções, o que exigiria situação de emergência nacional. Analistas avaliam, porém, que não se aplica a um aliado tradicional.
Outra via mencionada seria a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usada para justificar tarifas controversas. Para avançar, seria necessária investigação prévia do USTR e diálogo com Espanha, o que tende a levar tempo.
A UE já sinalizou apoio a Espanha caso ocorram represálias. Bruxelas garantiu defesa dos interesses do bloco, ressaltando a necessidade de proteger os Estados-membros. Líderes europeus também manifestaram respaldo a Madrid.
Em termos de comércio, as relações entre Espanha e EUA são estáveis, porém não intensas. No ano de 2025, as exportações espanholas para os EUA somaram cerca de 16,7 bilhões de euros, com déficit comercial de 13,5 bilhões de euros nas importações.
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