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Professora que expôs propaganda de Putin em escola primária

Documentário sobre a indoctrinação em escolas russas gera debate internacional; cineasta vive exílio após Bafta, enquanto público russo permanece em silêncio

‘They said this person did not exist and does not exist and this film did not exist and does not exist’ … Pavel Talankin.
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  • O documentário Mr Nobody Against Putin mostra um programa patriótico em escolas russas para moldar crianças a apoiar o governo e a guerra, com atividades como aulas sobre desnazificação e treinamento com minas.
  • O filme foi dirigido e pronto por Pavel Talankin, que registrou o processo por dois anos e meio, enviando material para o diretor David Borenstein nos EUA.
  • Após vencer o Bafta de melhor documentário, o filme recebeu silêncio tanto na mídia estatal russa quanto em eventos anteriores em Sundance; há expectativa de lançamento no Oscar.
  • Em Karabash, cópias pirateadas do filme circularam entre pais e alunos; autoridades da FSB foram à escola para tentar impedir a divulgação.
  • Talankin acredita que o filme pode alertar a população russa sobre a propaganda e que seu envolvimento levou à sua fuga para a Europa, onde busca asilo político.

O documentário Mr Nobody Against Putin mostra como escolas russas passaram a promover um programa de educação patriótica para moldar crianças do ensino primário, com apoio do governo. Pavel Talankin, professor e co-diretor do filme, expôs o caso durante dois anos e meio de registro.

A produção acompanha o esforço para cumprir cotas de ensino patriótico, com registro de aulas, debates sobre guerra e entonação de slogans. Talankin enviou as imagens para fora da Rússia, com o apoio do diretor David Borenstein, que ajudou na edição do filme.

O filme venceu o Bafta de melhor documentário na semana passada e é cotado para o Oscar. Talankin, que hoje vive no exílio, espera que a obra amplie a percepção pública no país sobre o que ocorre nas escolas.

Nos relatos, alunos de Karabash School No 1 aparecem inicialmente apáticos, mas passam a internalizar conteúdos sobre denazificação e desmilitarização. A sequência mostra visitas de representantes do Wagner para instruções de campo em minas.

No interior da escola, as mudanças impactam a rotina: aulas de esportes substituídas por exercícios de defesa, e atividades extracurriculares viram parte de uma campanha de propaganda. A família dos estudantes é exposta a programas televisivos com discursos pró-guerra.

O impacto do programa patriótico é observado através de queda de desempenho escolar e de relatos de docentes que temem perder o emprego caso questionem o material. A direção da instituição afirma manter o conteúdo por determinação administrativa. Talankin ressalta a gravidade do tema.

A produção gerou resposta oficial após a circulação do filme no município: autoridades de segurança chegaram à escola para esclarecer a suposta inexistência do material. Talankin recebeu suporte de apoiadores, mas enfrenta risco pessoal significativo pela divulgação.

Talankin, que obteve asilo político na Europa, afirma que manter o registro foi essencial para revelar o que acontece nas escolas. O documentário também ressalta que as práticas podem moldar gerações futuras de apoiadores do governo, sem oferecer conclusão sobre impactos a curto prazo.

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