- Mulheres australianas detidas no campo de al-Roj, no nordeste da Síria, dizem que aceitariam ficar separadas dos filhos se eles pudessem voltar à Austrália, mesmo que isso signifique ficar para trás.
- Entre as 11 mulheres e 23 crianças, algumas afirmam que o governo australiano deveria repatriar as crianças a qualquer custo, mesmo se isso envolver entregar as crianças a parentes no país.
- As crianças, com idades até aproximadamente seis anos entre as mais novas, enfrentam regressão psicológica e dificuldades emocionais após anos de detenção.
- Uma tentativa de repatriação na semana passada foi abortada, com a intervenção do governo sírio; o governo australiano continua opondo-se ao retorno.
- Organizações de direitos humanos alertam para riscos de tráfico e recrutamento por grupos extremistas, defendendo que crianças e suas mães voltem juntas ao país, sob supervisão australiana.
Oito mulheres australianas estão detidas no campo de al-Roj, no nordeste da Síria, sob a custódia de autoridades curdas, por ligações com combatentes do Estado Islâmico. Elas vivem com 23 crianças, também australianas, desde pelo menos 2019.
Algumas mães disseram que aceitariam ficar separadas das crianças para que elas retornem à Austrália. Em seus relatos, a pressão psicológica sobre as crianças é evidente, com relatos de regressão emocional e traumas de longos anos de detenção.
A tentativa de repatriar as famílias, abortada na semana passada, envolveu o envio de 11 mulheres e 23 filhos em direção a Damasco, com a ideia de embarcar para a Austrália. O deslocamento foi interrompido após intervenção do governo sírio, que alegou falha de coordenação com as autoridades locais.
O governo australiano mantém postura contrária à repatriação das mulheres e dos filhos, sem oferecer apoio à reentrada no território sírio. O grupo é composto por esposas e filhos de supostos combatentes do IS que viajaram para a Síria e foram detidos desde 2019.
Especialistas de direitos humanos destacam que as condições em al-Roj são precárias. Entidades apontam riscos de tráfego, exploração e recrutamento de menores por grupos extremistas, caso permaneçam no campo ou sejam transferidos sem proteção adequada.
Alguns relatos indicam que, mesmo diante de pressões para retornar, várias mães preferem não separar as crianças. Ainda assim, o debate sobre a melhor forma de proteção e reintegração das crianças segue aceso entre ONGs, autoridades australo-sírias e o público em geral.
A situação no campo de al-Roj ganha ainda mais urgência após a tomada de controle de al-Hawl pelo governo sírio no mês passado, com o deslocamento de milhares de famílias associadas ao IS para locais ainda não divulgados. Observadores temem que mudanças administrativas dificultem a situação das crianças.
Organizações de defesa dos direitos da criança insistem na necessidade de repatriar famílias inteiras, argumentando que o bem-estar infantil costuma se manter mais estável quando os pais permanecem junto aos filhos. A imprensa continua acompanhando desenvolvimentos e eventuais novas tentativas de retorno.
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