- Hamas aumenta o controle em Gaza, nomeando cinco governadores distritais ligados às brigadas al-Qassam e substituindo autoridades em ministérios de economia e interior.
- O grupo mantém coletação de impostos e pagamento de salários a servidores e militantes, com rendimento médio de cerca de 1.500 shekels por mês, segundo fontes em Gaza.
- Um comitê tecnocrático apoiado pelos EUA, chefiado por Ali Shaath, seria responsável pela administração de Gaza, mas ainda não teve entrada permitida para assumir funções.
- A reunião inaugural do Board of Peace, ligado ao plano de paz de Washington, deve ocorrer em breve em Washington, com relatos de relatórios sobre o andamento do comitê.
- Autoridades israelenses afirmam que Hamas aproveita a trégua de outubro para rebrandar seu controle, enquanto o governo de Netanyahu não comenta sobre um papel futuro do grupo.
Hamas está consolidando seu controle em Gaza ao nomear aliados em cargos governamentais, arrecadar impostos e manter salários, segundo avaliação militar israelense obtida pela Reuters e fontes na faixa. A atuação fortalece a influência do grupo sobre estruturas políticas-chave na região.
A análise aponta que a presença de membros de Hamas em ministérios econômicos e de segurança facilita a manutenção de serviços e a coleta de tributos, mesmo diante de negociações internacionais. O documento foi apresentado ao primeiro-ministro israelense Benjamín Netanyahu no fim de janeiro.
A Reuters indicou ainda que o movimento permanece sem desarmar e tem aproveitado o cessar-fogo de outubro para reorganizar áreas sob seu domínio. Atualmente, Israel controla mais da metade de Gaza, onde a maioria da população vive em áreas sob controle do Hamas.
NOVOS GOVERNADORES E OTROS AJUSTES
Hamas nomeou cinco governadores distritais, todos com vínculos às Brigadas al-Qassam, além de substituições em ministérios da economia e do interior que gerem tributos e segurança. Um vice-ministro da saúde também foi apresentado em visitas a hospitais na região.
Um analista próximo aos membros da NCAG, órgão americano criado para supervisionar a transição, afirmou que o comitê tem conhecimento das nomeações do Hamas e não aprovou a mudança. O comitê pediu apoio internacional para exercer plenamente suas funções.
O Board of Peace dos EUA, encarregado de supervisionar a governança transitória em Gaza, fará sua primeira reunião em Washington nesta quinta-feira. O grupo também deve discutir o envio de pessoal para uma força de estabilização da ONU e o treinamento de uma nova polícia palestina.
CONTEXTO E DESDOBRAMENTOS
O Hamas já substituiu autoridades em pelo menos 13 de 25 municípios e em mais de 14 de 17 ministérios, segundo a avaliação militar. A rede de serviços públicos mantém operações para evitar descontinuidade em serviços essenciais durante as negociações de paz.
Ismail al-Thawabta, dirigente da agência de imprensa do governo controlado pelo Hamas, negou novas nomeações, alegando substituições temporárias para evitar vácuos administrativos. Autoridades israelenses não quiseram comentar as informações.
O governo de Israel repetiu oposição a qualquer papel do Hamas em Gaza após o conflito que começou em 2007. O bloqueio e as ações militares seguidas resultaram em um alto saldo de vítimas, segundo dados de fontes locais e internacionais.
TRUMP E A BÓA DE PAZ
A nomeação do comitê tecnocrata em janeiro marca a próxima fase do plano de paz liderado por Donald Trump, ainda sem cumprimento total das etapas anteriores, como cessar hostilidades. O Board of Peace deve receber relatos sobre o trabalho do comitê nesta quinta-feira.
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